Manutenção de taxa de juros estratosférica é injustificada e agrava sufoco da indústria, alertam CNI e Findes

Decisão do Banco Central ignora sinais claros de desaceleração da atividade econômica e queda da inflação, conjuntura que demanda urgência na redução de juros para evitar prejuízos maiores à economia e aos trabalhadores

Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), consideram injustificada a decisão do Banco Central de manter a Selic em 15% ao ano. A atitude da autoridade monetária demonstra postura excessivamente conservadora, mesmo diante dos sinais favoráveis do quadro inflacionário e do desaquecimento intenso da atividade econômica.

“Não existe crescimento sustentável com juros estratosféricos. Não existe inovação, reindustrialização, crédito acessível. O que existe é a paralisia nos investimentos produtivos com sequelas para toda a sociedade. Já passou do momento de uma política monetária mais favorável. Afinal, por que correr o risco de fazer investimento produtivo se é possível obter, sem esforço, um rendimento real de 10% ao ano aplicando no mercado financeiro?”, questiona o presidente da CNI, Ricardo Alban.

Segundo Alban, é essencial que o Banco Central inicie o necessário ciclo de cortes na Selic já a partir da próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em novembro, a penúltima de 2025. “Em paralelo à redução da Selic a ser feita pelo Copom, é fundamental que se construa um pacto de toda a sociedade em torno da agenda do ajuste das contas públicas, baseado na redução das despesas, de forma a melhorar a sintonia entre as políticas fiscal e monetária e, com isso, assegurar a redução expressiva e sustentada dos juros”, afirma o dirigente.

Além dos problemas causados pela Selic elevada, o setor produtivo enfrenta um cenário adverso e de severa perda de competividade devido aos aumentos das alíquotas do IOF sobre as operações de crédito e câmbio e a elevação das tarifas dos EUA sobre as exportações do Brasil.

Não à toa, os empresários industriais demonstram falta de confiança há 9 meses, segundo o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), da CNI, o que compromete a disposição do setor em investir e contratar mão de obra. Esse cenário de dificuldades exige postura mais atenta do Banco Central, para que inicie, já na próxima reunião, o tão necessário ciclo de cortes na Selic.

Política monetária cada vez mais restritiva e atividade econômica em desaceleração

Outro ponto de alerta é que a taxa de juros real está hoje em 10,1% ao ano – 5,1 pontos acima da taxa de juros neutra estimada pelo próprio Banco Central em 5% ao ano. Nota-se, assim, que a Selic em 15% ao ano implica política monetária fortemente contracionista, e coloca o Brasil na segunda posição entre as maiores taxas de juros real do mundo, atrás apenas da Turquia.

Para ilustrar o quão excessivo está o patamar da Selic, a CNI estima que a taxa básica de juros de equilíbrio (segundo a Regra de Taylor) deveria estar em 10,3% ao ano, considerando a inflação acumulada nos últimos 12 meses. Isso significa que a Selic vigente está 4,7 pontos percentuais. acima do nível necessário para controlar a inflação e evitar prejuízos ao crescimento econômico.

Entre setembro de 2024, quando se iniciou o atual ciclo de altas na Selic, e julho de 2025, a taxa de juros média do crédito, com recursos livres, contratado pelas empresas passou de 20,58% ao ano para 25,02% ao ano. No caso dos consumidores, a taxa de juros média subiu de 52,26% ao ano para 57,65% ao ano. A alta no custo do crédito tem prejudicado o investimento (Formação Bruta de Capital Fixo), que recuou 2,2% no segundo trimestre frente ao primeiro, e no consumo de bens industriais, que caiu 0,4% no mesmo período.

“Não existe crescimento sustentável com juros estratosféricos. Não existe inovação, reindustrialização, crédito acessível. O que existe é a paralisia nos investimentos produtivos com sequelas para toda a sociedade.”

Presidente da CNI, Ricardo Alban.

Com o crédito cada vez mais caro e, consequentemente, menos acessível, a atividade econômica mostra clara desaceleração. O crescimento do PIB no segundo trimestre de 2025 foi bem menor que no primeiro: 0,4% contra 1,3%. Além disso, é importante ressaltar que, no segundo trimestre de 2025, todos os segmentos da indústria registraram queda no PIB, exceto a indústria extrativa. E vale destacar que a indústria de transformação e a de construção tiveram dois trimestres seguidos de retração.

Para piorar, os números do começo do terceiro trimestre não são animadores e indicam continuidade da trajetória de desaquecimento da atividade. Em julho, o IBC-Br, indicador do Banco Central que serve como prévia do PIB, caiu 0,5%, com retração em todos os setores: agropecuária (-0,8%), indústria (-1,1%) e serviços (-0,2%).

Inflação com sinais favoráveis

Nesse contexto de Selic elevada e atividade econômica em desaceleração, as altas mensais do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) vem perdendo força mês a mês: 1,31% em fevereiro; 0,56% em março; 0,43% em abril; 0,26% em maio e julho, culminando em variação negativa de 0,11% em agosto.

Destaca-se como fatores favoráveis ao arrefecimento da inflação os preços de alimentos, em desaceleração por conta da apreciação do real frente ao dólar, e os preços de bens industriais, em desaceleração por conta da safra recorde.

Além disso, é importante ressalta que as expectativas de inflação para o final de 2025 têm sido revistas para baixo há 14 semanas seguidas, segundo o Relatório Focus, caindo de 5,50%, no fim de maio, para 4,83%, na segunda semana de setembro.

Diante desse cenário, a CNI defende que o Banco Central inicie imediatamente o ciclo de cortes da Selic. A entidade também ressalta a necessidade de um pacto pela consolidação fiscal baseado na redução de despesas, de modo a alinhar as políticas monetária e fiscal e permitir queda sustentada e expressiva dos juros.

Por CNI

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