01/07/2015 – Impostômetro registra R$ 1 trilhão com 44 dias de antecedência

Alcançar novos recordes quase sempre é sinônimo de alegria e celebração. Quase sempre. Às 12h30 da última segunda-feira, 29 de junho, o Brasil registrou um número que nenhum cidadão gostaria de comemorar: o Impostômetro bateu, em velocidade inédita, a marca de R$ 1 trilhão em impostos arrecadados. Com 44 dias de antecedência, o painel instalado em frente à Federação das Indústrias do Estado do Espírito Santo (Findes) exibiu a marca que, no ano passado, foi atingida apenas no dia 12 de agosto.

Conheça: www.impostometro.com.br

O valor representa o total de impostos municipais, estaduais e federais pagos no país desde o dia 1º de janeiro. O novo recorde reflete o aumento do peso da carga tributária, que atualmente consome cinco meses de trabalho do brasileiro. Para o primeiro vice-presidente da Findes, Gibson Reggiani, a velocidade de arrecadação em um ano de crise surpreende e prejudica ainda mais a vida do cidadão e das indústrias.

“Enquanto as perspectivas apontam para um ano de retração na economia, a arrecadação de impostos segue avançando – alcançando 35,7% do Produto Interno Bruto. Como consequência, a indústria sofre com a baixa competitividade, causada também pela burocracia excessiva e pelo custo Brasil, e o cidadão não vê retorno do dinheiro que gasta. Precisamos de investimentos em infraestrutura e de alternativas que melhorem a qualidade de vida da população. Quem mais sofre é o brasileiro, que em breve trabalhará metade do ano apenas para pagar impostos”, enfatizou.

Segundo estudo do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), a carga tributária nacional é a maior entre os Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), a segunda maior da América Latina – atrás apenas da Argentina (37,3%) – e uma das 30 maiores do mundo. O peso colocado sobre os ombros da população impressiona. “Um produto simples, como uma garrafa de água mineral, traz embutidos 44% de impostos. É absurdo”, critica o primeiro vice-presidente da Findes.

Na indústria, o custo de produção sofre influência direta da alta dos tributos. Segundo estudo divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), um produto fabricado no Brasil é, em média, 34,2% mais caro do que um similar importado. Desse total, 15,5 pontos percentuais referem-se apenas ao custo da burocracia tributária do país. Para piorar, a cada dia, 46 novas normas são criadas, exigindo 2.600 horas de trabalho por ano apenas para pagar impostos – em outros países emergentes, a média é de 227 horas.

Ritmo de arrecadação

Em maio deste ano, o Impostômetro alterou a forma de medição da carga tributária, em função da mudança na metodologia do cálculo do PIB implementada em março pelo IBGE. Com isso, os valores exibidos pelo painel passaram a considerar novos dados de arrecadação de Imposto de Renda Retido dos funcionários públicos estaduais e municipais e novas taxas e contribuições federais determinadas pela Lei nº 13.080/2015. Também foram incluídas arrecadações de municípios que não estavam sendo informadas à Secretaria do Tesouro Nacional.

Confira alguns dos itens básicos do cotidiano e sua carga tributária:
– Água mineral: 44% de impostos;
– Açúcar: 32%;
– Arroz: 17%;
– Feijão: 17%;
– Sabonete: 37%;
– Gasolina: 53%;
– Livro: 18%;
– Roupas: 35%.

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