Estudo revela o Custo Brasil: R$ 1,5 trilhão por ano

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Essa é a despesa adicional com itens como burocracia, infraestrutura precária e insegurança jurídica ou regulatória

Reunião de diretoria da CNI

O país desperdiça cerca de R$ 1,5 trilhão por ano, ou o equivalente a 22% do PIB, com o chamado custo Brasil, que são as despesas adicionais que as empresas privadas têm para operar em território nacional. Essa pesquisa foi apresentada nesta terça-feira (28) pelo industrial Jorge Gerdau, presidente do Movimento Brasil Competitivo (MBC), em reunião na Confederação Nacional da Indústria, em Brasília.

O estudo apresenta uma comparação do custo médio de se produzir no Brasil em relação ao custo médio dos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), que reúne as nações mais desenvolvidas do mundo.

“Esse era um problema que pairava no ar e o efeito concreto não era analisado. Agora nós podemos ver como ele mina a nossa competitividade. O ideal seria que cada setor pudesse fazer o cálculo do seu custo isoladamente. Mas esse estudo mostra que precisamos agir, precisamos atuar junto ao Congresso e ao governo para enfrentar essa questão”, disse Gerdau, eu reunião com presidentes de federações das indústrias de todo o país.

O estudo foi desenvolvido ao longo de quatro meses no ano passado, em parceria com a Secretaria Especial de Produtividade e Competitividade do Ministério da Economia e também com a assessoria da Boston Consulting Group. O estudo analisou os principais entraves à competitividade do setor produtivo brasileiro, tendo como referência o ciclo de vida das empresas. Foram analisados itens como: abrir um negócio, financiamento, empregar capital humano, pagamento de tributos, infraestrutura e ambiente jurídico e regulatório eficaz.

“Precisamos pensar numa meta de, por exemplo, reduzir esse custo à metade nos próximos 3 anos. Porque é preciso reconhecer uma coisa: eu percebo no governo um espírito colaborativo de trabalhar a quatro mãos. Há um ambiente no governo para trabalhar em conjunto”, disse Gerdau.

O presidente da CNI, Robson Andrade, e demais presentes, ficaram impressionados com o estudo e concordaram que é preciso fazer gestões junto ao governo e ao Congresso para tornar a indústria mais competitiva.

“O trabalho que o MBC fez traz luz para um assunto que há muitos anos está na pauta do empresário mas nunca foi quantificado e estratificado da forma como foi feito. Com isso agora temos um alinhamento de linguagem em torno do tema, o trabalho foi construído com o governo federal, com associações empresariais, é um trabalho convergente. Acredito que dai pra frente a gente consegue fazer com que essa agenda prospere e que de fato a gente tire isso das costas do empreendedor brasileiro. Ninguém ganha com esse custo Brasil. Isso tira competitividade da nossa indústria. Apesar de o Brasil ser a nona economia do mundo, somos a 32a em indústria de transformação. O custo Brasil tem essa característica, ele onera mais à medida que a cadeia produtiva evolui”, observou o presidente da Federação das Indústrias do ES, Léo de Castro.

O estudo contou com apoio de organizações como Associação Brasileira da Indústria de Tubos e Acessórios de Metal (Abitam), Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) e Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), entre outras.

Por André Hees

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