14/12/2015 – Artigo – “A indústria e agenda do clima”

*O presidente da Findes, Marcos Guerra, também é presidente do Conselho Temático de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Confederação Nacional de Indústria (CNI)

Texto originalmente publicado na publicação “Valor Econômico” de 14 de dezembro de 2015 (http://www.valor.com.br/opiniao/4355476/industria-e-agenda-do-clima)

 ———————————————————————-

A indústria e a agenda do clima

Embora os processos industriais sejam responsáveis por apenas 7% do total das emissões de gases de efeito estufa no Brasil, a indústria está comprometida com a preservação do meio ambiente e vem trabalhando para reduzir os impactos das mudanças climáticas e mitigar as emissões. Essas questões são cada vez mais cruciais para a sustentabilidade dos negócios e das sociedades e é vista também como oportunidade de alcançarmos novos patamares de desenvolvimento, mais colaborativos e sustentáveis.

Pesquisa recente realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) com cem gestores de médias e grandes indústrias mostra que os empresários aumentaram a atenção aos efeitos das mudanças climáticas. Desses, 61% informaram que a empresa leva em consideração esses efeitos sobre os negócios e 66% adotaram medidas que reduziram as emissões de gases de efeito estufa, como gestão de resíduos ou investimentos em projetos de eficiência energética.

Há inúmeros exemplos de iniciativas ambientalmente sustentáveis dentro e fora das fábricas. Além disso, indústrias, especialmente de grande porte, estão disseminando conhecimentos e capacitando a cadeia de fornecedores para a adoção de práticas que respeitem o meio ambiente. A maioria percebe ganhos, não só ambientais e de reputação da marca, mas econômicos, pela maior eficiência de processos e redução do consumo de matérias-primas.

Para potencializarmos esses esforços, é necessário estimular os investimentos em tecnologias mais limpas e em iniciativas criativas que reduzam as emissões. Também é preciso maior compatibilização da Política Nacional sobre Mudança do Clima com outras políticas, como a fiscal, a tributária, a de investimento, a de resíduos sólidos, a de gestão hídrica, a de florestas, entre outras. O planejamento eficiente e integrado é fundamental para garantir a segurança jurídica e o sucesso das ações de redução das emissões de gases de efeito estufa e de adaptação aos efeitos das mudanças climáticas.

Além disso, a regulamentação do mercado de carbono seria um estímulo a mais para empresas brasileiras. Dos gestores que se consideram informados sobre esse mercado, 71,6% acreditam que isso representaria uma oportunidade de negócios para as empresas.

Em relação ao setor de energia, em que a indústria é responsável por menos de um terço do consumo, é importante que o país invista na diversificação da matriz energética, aumentando a eficiência e segurança na geração e garantindo preços competitivos. Por outro lado, a ampliação da geração por fontes renováveis, como a eólica e a solar, gera novas oportunidades de negócios para o Brasil, que possui disponibilidade privilegiada de radiação solar e de ventos.

Também é importante melhorar a infraestrutura logística, o que contribuiria para a redução significativa de gases do efeito estufa, além de reduzir custos no escoamento da produção industrial e agrícola e gerar ganhos econômicos para toda a sociedade. A CNI elaborou uma série de estudos em que identifica projetos prioritários nas cinco regiões brasileiras para integrá-las em um sistema logístico eficiente, que prevê a construção de uma plataforma multimodal que integra rodovias, ferrovias e hidrovias. Nos estudos, são identificados mais de 300 projetos prioritários em todo o País.

Aliado a isso, é essencial ainda alavancar programas de uso e produção de combustíveis sustentáveis. É necessário ter planejamento de longo prazo para o setor, que propicie um ambiente favorável a novos investimentos. Os biocombustíveis, por exemplo, aportam muitas vantagens para o Brasil: ambientais, com redução de emissões diretas e indiretas; sociais, com a geração de novos postos de trabalho; econômicas, via desenvolvimento regional e redução das importações de combustíveis fósseis.

Para a sobrevivência de economias, é fundamental considerar ações de redução das emissões e os efeitos das mudanças climáticas em políticas públicas, programas governamentais e estratégias de negócios. A indústria, como parte da sociedade, tem realizado esforços significativos para reduzir as emissões e acredita que é possível ir além. Isso exige um trabalho mais integrado com o governo e com o restante da sociedade, por meio de definição de objetivos claros e da elaboração de uma estratégia construída com base no diálogo, considerando os potenciais e as necessidades de cada segmento econômico.

É preciso ver essa questão também como oportunidade para melhorar a gestão pública, com redução da burocracia e elevação da capacidade técnica do Estado para formular e executar bons projetos. Nesse caso, a agenda ambiental torna-se fator crucial para a competitividade do país, com melhoria do ambiente de negócios e geração de emprego e renda, essenciais para manter o Brasil na rota do desenvolvimento sustentável.

Conteúdos Relacionados

Leave a Reply

Conteúdos Recentes

22 de junho de 2026
Comitiva da FINDES participa de debate com presidenciáveis em Brasília
19 de junho de 2026
Semana da Integridade da FINDES destaca impacto das atitudes na reputação profissional
18 de junho de 2026
Parceria entre FINDES e Nova ES vai atrair empresas para o Estado