
Indústria foi a principal responsável pelo desempenho positivo do Estado nos seis primeiros meses do ano
A economia capixaba segue crescendo acima da média nacional. No primeiro semestre deste ano, a atividade econômica do Espírito Santo avançou 4,4% em relação ao mesmo período do ano passado. No Brasil, o PIB cresceu 1,9% na mesma base de comparação.
Os dados do Indicador de Atividade Econômica (IAE-FINDES), elaborado pelo OBSERVATÓRIO FINDES, apontam que o desempenho estadual foi influenciado, principalmente, pela indústria, que registrou alta de 12,4%. No mesmo período, os serviços cresceram 1,6%, enquanto a agropecuária recuou 0,4%.
As informações foram divulgadas em coletiva de imprensa realizada na sede da Federação das Indústrias do Espírito Santo (FINDES), nesta quarta-feira (16), em Vitória.
Para o presidente da FINDES, Paulo Baraona, o resultado confirma a força da indústria capixaba, mas também reforça a necessidade de avançar em uma agenda de competitividade, produtividade e agregação de valor.
“O Espírito Santo tem uma indústria forte, que se dinamiza a cada dia e se tornou capaz de impulsionar o crescimento da economia. Mas crescer não basta. É indispensável criar condições para que esse crescimento gere mais valor agregado, mais produtividade, mais empregos qualificados e mais oportunidades para as empresas capixabas. Nosso desafio, hoje, é transformar bons resultados em desenvolvimento sustentável e de longo prazo”, afirma Baraona.
As perspectivas para este ano são positivas tanto para o Brasil quanto para o Espírito Santo. Segundo as estimativas do IAE-FINDES, revisadas trimestralmente, o ano de 2026 deve encerrar com a economia capixaba crescendo 3,7%, resultado acima da média nacional. Segundo o último Boletim Focus, o PIB nacional deve avançar 1,9% no ano.
A gerente executiva do OBSERVATÓRIO FINDES e economista-chefe da FINDES, Marília Silva, explica que a diferença entre o desempenho esperado para o Estado e para o país está relacionada, sobretudo, à composição da economia capixaba e ao peso da indústria extrativa.
“O Espírito Santo tem uma estrutura produtiva em que a indústria possui participação relevante, especialmente a extrativa. Neste primeiro semestre, o avanço da produção de petróleo, gás natural e pelotas de minério de ferro teve papel determinante para o crescimento estadual. Esse desempenho, somado à expansão de atividades como energia, saneamento e construção, ajuda a explicar por que a economia capixaba deve crescer acima da média nacional em 2026”, aponta Marília.
Indústria cresceu 12,4% no primeiro semestre de 2026
O resultado positivo da indústria foi explicado, especialmente, pelo avanço de 36,3% da indústria extrativa. Outras atividades industriais também cresceram no período, como energia e saneamento e indústria da construção. Por outro lado, a indústria de transformação recuou 2,0%.
A expansão da indústria extrativa no semestre foi impulsionada pelas duas atividades que compõem o setor. A produção de petróleo e gás natural cresceu 49,1%, enquanto a atividade de pelotização de minério de ferro registrou avanço de 18,7%, segundo os dados do IAE-FINDES.
Indústria extrativa cresce 36,3% e impulsiona resultado capixaba
A indústria extrativa vem apresentando bom desempenho ao longo deste ano. No primeiro semestre, na comparação com o mesmo período de 2025, cresceu 36,3%.
Na extração de petróleo e gás natural, dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que a produção média de petróleo atingiu 244,8 mil barris de petróleo (bbl) por dia no semestre, uma elevação de 46,4% em relação ao mesmo período de 2025.
Já a produção média de gás natural no Estado foi de 6,95 milhões de m³ por dia, crescimento de 69,0% em relação ao primeiro semestre do ano passado. Esses resultados foram impulsionados, entre outros fatores, pelo aumento da capacidade produtiva do navio-plataforma Maria Quitéria, localizado no campo de Jubarte, e pelo início das operações do campo de Wahoo, pertencente à Prio.
Na atividade de pelotização, que cresceu 18,7%, o desempenho foi influenciado pelo aumento da produção das duas empresas atuantes no Estado: Vale e Samarco.
De acordo com informações do relatório trimestral da Vale, a empresa registrou produção de 10,8 milhões de toneladas de pelotas de minério de ferro no Estado, crescimento de 28% frente ao primeiro semestre de 2025. Já a Samarco registrou produção de 7,7 milhões de toneladas de pelotas e finos de minério de ferro no semestre, alta de 8% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados publicados pela mineradora.
Energia, saneamento e construção também avançam
A atividade de energia e saneamento cresceu 7,9% no primeiro semestre, puxada pelo aumento do consumo de energia elétrica. Segundo dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o consumo de energia elétrica no Espírito Santo avançou 7,0% no semestre, na comparação com o mesmo período do ano passado.
Houve alta em todas as classes de consumo: industrial (8,7%), residencial (7,4%), comercial (6,1%) e outros (3,3%).
A construção também teve desempenho positivo, com crescimento de 2,7%. O resultado evidencia a resiliência do setor em um cenário macroeconômico marcado por taxa de juros elevada, que pode comprometer tanto a capacidade de realização de empreendimentos quanto a compra de imóveis pelas famílias.
Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE, o número de pessoas ocupadas na construção cresceu 10,1% na comparação entre o segundo trimestre de 2026 e o mesmo período de 2025.
Para Paulo Baraona, a construção é uma atividade sensível ao custo do crédito e, por isso, demanda atenção permanente.
“A taxa de juros elevada afeta diretamente a construção. Atualmente, estamos com a taxa básica de juros do Brasil, a Selic, em 14% ao ano. Patamares elevados encarecem o financiamento, reduzem a capacidade de compra das famílias, aumentam o custo das empresas e podem adiar novos empreendimentos. Mesmo diante desse cenário, o setor mostrou crescimento no primeiro semestre, o que demonstra sua relevância para a economia capixaba. A construção mobiliza uma cadeia ampla, gera emprego, movimenta fornecedores e tem impacto direto sobre o desenvolvimento das cidades”, afirma o presidente da FINDES.
Indústria de transformação recua
Já o resultado da indústria de transformação, que recuou 2,0%, refletiu as quedas registradas em duas atividades: fabricação de produtos alimentícios (-9,3%) e fabricação de papel e celulose (-6,5%).
A fabricação de produtos alimentícios foi pressionada pela menor produção de carnes bovinas congeladas, resfriadas e frescas, além da redução na fabricação de água de coco e açúcar cristal, de acordo com a Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF), do IBGE.
Já a fabricação de papel e celulose enfrentou desafios relacionados ao mercado externo, como a demanda chinesa por produtos estrangeiros, associada à maior oferta interna, e as incertezas na economia global.
Apesar do recuo da indústria de transformação, três atividades do segmento registraram resultados positivos no período: fabricação de coque e produtos derivados do petróleo (+7,4%), metalurgia (+0,7%) e fabricação de produtos de minerais não metálicos (+0,6%).
Serviços crescem 1,6% no semestre
Outro setor econômico que cresceu no acumulado de janeiro a junho deste ano, na comparação com o mesmo período de 2025, foi o de serviços, com avanço de 1,6%. O desempenho positivo foi influenciado por todas as atividades que compõem o setor.
O maior resultado foi registrado em transportes, que teve alta de 2,9%. Em seguida, o comércio avançou 2,0%, impulsionado pelo aumento nas vendas de artigos farmacêuticos, médicos e cosméticos; material de construção; móveis e eletrodomésticos; papelaria; e atacado especializado em alimentos e bebidas, conforme apurado pela Pesquisa Mensal do Comércio, do IBGE.
Os demais serviços cresceram 1,4% no semestre. Esse conjunto foi sustentado pelas atividades imobiliárias, pelo aumento da oferta de serviços da administração pública, pelas atividades financeiras e por outros serviços.
Agropecuária retrai 0,4%
A agropecuária foi o único setor econômico a registrar retração no período, com queda de 0,4%. O resultado foi explicado pela redução da atividade pecuária (-7,5%), que refletiu as quedas nos segmentos de bovinos e de leite.
Por outro lado, a agricultura ficou estável (+0,1%), resultado do equilíbrio entre o crescimento da safra do café, principal lavoura do Estado, e a queda de outras culturas, como pimenta-do-reino, tomate, coco-da-baía e cana-de-açúcar.
Por Siumara Gonçalves
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“O Espírito Santo tem uma indústria forte, que se dinamiza a cada dia e se tornou capaz de impulsionar o crescimento da economia. Mas crescer não basta. É indispensável criar condições para que esse crescimento gere mais valor agregado, mais produtividade, mais empregos qualificados e mais oportunidades para as empresas capixabas. Nosso desafio, hoje, é transformar bons resultados em desenvolvimento sustentável e de longo prazo”, afirma Baraona.
“O Espírito Santo tem uma estrutura produtiva em que a indústria possui participação relevante, especialmente a extrativa. Neste primeiro semestre, o avanço da produção de petróleo, gás natural e pelotas de minério de ferro teve papel determinante para o crescimento estadual. Esse desempenho, somado à expansão de atividades como energia, saneamento e construção, ajuda a explicar por que a economia capixaba deve crescer acima da média nacional em 2026”, aponta Marília.




