Escola de Associativismo reúne especialistas para debater o atual momento político do país

A política brasileira foi o tema central do encontro realizado pela Escola de Associativismo, nessa terça-feira (06), no Salão da Indústria. Conduzido pelo diretor da entidade, Sergio Rogerio de Castro, o evento reuniu especialistas que abordaram o tema sob diferentes aspectos.

Primeiro palestrante do evento, o historiador e articulista do jornal A Gazeta Gabriel Tebaldi relacionou fatos da política brasileira desde a Proclamação da República até a atualidade na palestra “E assim se passaram 127 anos da República”. Segundo ele, todo o esboço da apresentação foi montado a partir da pergunta de uma aluna acerca do porquê da situação atual do país. Tebaldi fez um retrospecto de todos os governantes do Brasil, destacando como a base da política nacional foi alicerçada na troca de favores, no “toma lá dá cá” e em mecanismos de perpetuação do poder. O historiador destacou também diversos momentos de crise política e de golpes contra governos estabelecidos no país.

Na sua visão, o momento atual pode ser definido como um somatório de crises políticas destacadas na História e somadas a uma crise de valores. “Não esperem novidade de quem sempre esteve no poder, de quem sempre repetiu um padrão”, afirmou. Gabriel Tebaldi enalteceu a postura da Escola de Associativismo em promover esse debate, pontuando a necessidade de que novas lideranças despontem. “Acredito que há um vácuo no poder e não sobraram muitas perspectivas. Portanto, é necessário que surjam novas lideranças”, finalizou.

O segundo convidado, o jornalista e pós-doutor em Comunicação José Antônio Martinuzzo, abordou sucintamente a relação entre a política e as mídias sociais. O jornalista explicou que, assim como a sociedade se constrói por meio de redes de associações, nas mídias digitais as pessoas também se conectam a projetos de interesse comum. Porém, segundo ele, os usuários estão se identificando “com aquilo que há de pior”. “Em uma sociedade com pouca formação, vemos grupos que direcionam e se unem em sua capacidade de ódio e raiva”, disse, ao se referir à polarização partidária. Martinuzzo, no entanto, afirmou que as redes sociais não criam comportamentos, mas apenas dão eco e visibilidade a padrões já estabelecidos. O pesquisador lamentou o mau uso das redes, afirmando que estamos diante de algo inédito, uma técnica jamais utilizada, que poderia ser melhor trabalhada, com finalidades mais proveitosas.

O cientista político e secretário de Estado da Cultura, João Gualberto, encerrou comentando o momento político atual do Brasil. Na sua opinião, o país não conseguiu construir instituições consolidadas e fortes, e fez sua base política e história alicerçadas no personalismo, em figuras que tomavam decisões embasadas naquilo que achavam melhor para o momento. “Somos uma nação elitista, que cresceu de costas para o povo, para o pobre, o negro, o índio e a periferia em geral. Não construímos a cidadania como um valor, ao contrário do que se viu na França e nos Estados Unidos”, avaliou.

João Gualberto enalteceu a operação Lava-Jato, algo que, segundo ele, jamais foi visto no país. E disse recear o que pode acontecer nas eleições de 2018, por falta de tempo de se construir um projeto político. “Vejo uma incapacidade política das massas, um Brasil despreparado para votar e políticos que não debatem a construção de um espaço nem políticas econômicas consistentes”, finalizou.
No final do evento, o diretor da Escola de Associativismo, Sergio Rogerio de Castro, conduziu um rápido debate, em que o público fez perguntas aos convidados. Segundo ele, um dos objetivos da Escola é sempre promover discussões acerca de questões atuais.

Por Evelyn Trindade

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