03/12/2014 – Soluções para a questão energética na indústria em debate na Findes

O vice-presidente do Conerg, Carlos Jardim Sena, ministrando palestra sobre Autoprodução

Faça o download de todas as apresentações do seminário.

Eficiência energética e novas formas de geração de energia foram alguns dos temas debatidos no seminário Redução do Custo de Energia – Soluções Práticas para a Indústria, realizado nesta terça-feira (02) no Plenário da Findes, em Vitória. Durante o evento, foi apresentado o quadro atual da geração de energia elétrica no país, visando a compartilhar informações sobre as modalidades de contratação de energia e o custo das tarifas elétricas, juntamente com algumas opções de geração de energia destinadas a amenizar custos e alavancar a competitividade da indústria capixaba. O seminário contou com a presença de representantes das indústrias, técnicos e demais profissionais envolvidos no assunto. O evento foi promovido pelo Sistema Findes, por meio de seu Conselho Temático de Energia (Conerg).

“Vivemos o momento ideal para esta discussão, pois o nosso país ainda é muito tímido em relação às novas fontes de energia. Além disso, o setor industrial é bastante penalizado com tarifas altas e problemas na qualidade do serviço prestado pelas geradoras”, disse o vice-presidente da Findes, Gibson Reggiani, ao abrir oficialmente o seminário. “Existe um desconhecimento geral a respeito da questão energética. Governo e empresários ainda atuam como se o recurso fosse infinito, mas a realidade é que chegamos ao limite do modelo atual”, completou.

“Estamos vivendo um momento crítico, pois há um sério risco de racionamento”, ressaltou, a seguir, o presidente do Conerg, Nélio Rodrigues Borges. “O nível de armazenamento atual dos reservatórios das hidrelétricas das regiões Sudeste e Centro-Oeste, responsáveis por 70% da capacidade total do sistema, encontra-se em 17,3% inferior àquele em que foi decretado o racionamento em 2001. Já os reservatórios da Região Nordeste encontram-se em 14,2%. Portanto, precisamos informar quais são os recursos que temos disponíveis, inclusive dentro das próprias indústrias, para que o setor não sofra um colapso por conta do fornecimento de energia em seu modelo atual”, enfatizou o dirigente.

O engenheiro Álvaro Dias Marques, interlocutor do Espírito Santo na Rede Renováveis e Soluções Energéticas do Senai-DN (Diretório Nacional), apresentou a palestra “A Energia Hoje no Brasil e a Eficiência Energética na Indústria”. “Atualmente, 70,6% da matriz energética brasileira provêm de fonte hidrelétrica. Diante do preocupante cenário atual, será que não podemos buscar alternativas?”, questionou Álvaro. “Temos uma vasta gama de fontes renováveis de energia a serem exploradas. Segundo dados oficiais do Governo Federal, temos atualmente 25,7% de potencial de redução no consumo das indústrias. A intenção deste debate e do Senai é, portanto, repensar o processo de geração de energia e promover uma maior profissionalização na gestão energética dentro das empresas”, completou.

A seguir, o engenheiro civil e especialista em energia fotovoltaica (solar), Jairo Alves Pereira Filho, fez uma apresentação abordando a microgeração de energia e fontes alternativas. Entre os dados apresentados, Jairo mostrou que a Alemanha possui o equivalente a três usinas de Itaipu instaladas e em pleno funcionamento por meio de fontes de energias fotovoltaicas. “Para efeitos de comparação, a região com o pior potencial de captação de energia solar do Brasil é equivalente ao dobro da melhor região alemã para este fim. Temos um imenso potencial, porém o utilizamos muito pouco, sendo que o investimento é baixo, a manutenção é básica e barata e trata-se de uma fonte de energia limpa e totalmente renovável”, disse Jairo, que destacou também outras maneiras de se popularizar – e baratear – a energia solar, como o uso do “marketing verde”, inserindo uma espécie de certificado em produtos ou empreendimentos que usem esta matriz energética, considerada ecologicamente correta.

Na última palestra do seminário, o vice-presidente do Conerg, Carlos Jardim Sena, apresentou formas de autoprodução e autogeração energética para as indústrias brasileiras e as possibilidades de reduzir encargos e impostos na tarifa energética. “A autoprodução e autogeração energética partem da autorização do Governo para que pessoa física, jurídica ou consórcio de empresas possam produzir energia elétrica para seu uso exclusivo. Tendo como base a média de 45,62% de tributos e encargos na tarifa final de energia elétrica, pode-se promover a isenção de diversos encargos e a consequente redução de tarifas, além de maior estabilidade no fornecimento, pois a própria indústria ou grupo controlam a geração e o fornecimento para os níveis desejados”, destacou Sena.

Ao final do seminário, houve debate a respeito dos temas apresentados. Para o vice-presidente da Findes, Gibson Reggiani, é preciso haver uma divulgação em massa para as indústrias, pois a maioria desconhece as alternativas para a questão energética. “Quase todos os resíduos gerados na produção industrial podem se converter em fontes de energia. Além disso, mais de 95% das empresas são de micro e pequeno porte, e a maioria delas sofre com tarifas altas de energia e desconhece por completo as soluções e alternativas possíveis para este segmento. Por isso é que precisamos divulgar intensamente essas propostas, tanto por parte da Findes e do Conerg quanto pelas entidades parceiras, para que possamos pleitear, inclusive, alterações na legislação e redução ou o fim de determinados encargos e tributos”, concluiu Reggiani.

Conteúdos Relacionados

Leave a Reply

Conteúdos Recentes

27 de agosto de 2026
SESI Escola de Referência Jardim da Penha sedia etapa estadual da Olimpíada Brasileira de Robótica
27 de agosto de 2026
SESI Escola de Referência chega em Aracruz e amplia oferta educacional na região
26 de agosto de 2026
FINDES leva soluções em IA, saúde e segurança à Cachoeiro Stone Fair 2026