Produção industrial do ES recua 6,7% no ano

Menor produção de petróleo e gás natural no ES contribuiu para a queda na indústria extrativa | Foto: Petrobras/Divulgação

Resultado foi influenciado principalmente pelo setor extrativo, que apresentou retração de quase 18% no mesmo período 

A indústria geral do Espírito Santo recuou 6,7% de janeiro a outubro de 2022. A maior influência para a performance foi da indústria extrativa (-17,9%), setor que tem sido puxado pela menor produção de minério de ferro pelotizado, óleos brutos de petróleo e gás natural no Estado. No acumulado dos oito meses do ano, a indústria geral capixaba obteve desempenho inferior ao registrado à nível nacional (-0,8%). 

Os dados são da Produção Industrial Regional (PIM-PF), divulgados nesta sexta-feira (09/12) pelo IBGE e compilados pelo Observatório da Indústria da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes).   

A indústria de transformação, que vinha apresentando desempenho positivo até setembro, também registrou retração em outubro, chegando a -1,4%. Contraponto o resultado, a fabricação de celulose, papel e produtos de papel permaneceu em patamar positivo até outubro de 2022, na marca de 10,6%, com contribuições de uma demanda internacional sólida, que vem sustentando o preço da celulose no mercado externo. 

Na passagem de setembro para outubro de 2022, a indústria geral capixaba caiu 5,3%, novamente resultado da queda na indústria extrativa (-2,2%) e da indústria de transformação (-0,5%). 

A economista-chefe da Findes e gerente-executiva do Observatório da Indústria, Marília Silva, explica o que tem impactado o desempenho da indústria geral, nacional e capixaba. “Falando de um cenário doméstico, a redução do consumo de bens industriais nos últimos meses pelo aperto da política monetária nacional, em associação com o alto endividamento das famílias brasileiras tem sido o fator mais influenciador dos dados em queda”.   

Marília completa que o setor industrial está sob a influência negativa do cenário externo adverso que está marcado por um considerável aperto das condições monetárias em diversos países, pela redução dos preços das commodities e pelo menor crescimento econômico dos principais parceiros comerciais do Brasil e do Espírito Santo.   

Para a presidente da Findes, Cris Samorini, o cenário não foi mais adverso para a indústria nacional e capixaba por causa da recente redução dos gargalos logísticos; da melhora do suprimento de insumos; do relevante e duradouro ritmo de criação de postos de trabalho; e em função de algumas medidas governamentais de estímulo fiscal adotadas neste ano.  

 

Outubro de 2022 frente ao mesmo mês de 2021 

Comparando outubro de 2022 com o mesmo mês de 2021, a indústria geral capixaba retraiu -20,7%. Tanto a indústria extrativa (-26,2%) quanto a de transformação (-18,1%) registraram uma redução na produção nesta base de comparação. 

“Acreditamos que mesmo com os números negativos, a indústria capixaba tem motivos para estar otimista. A indústria de transformação vem expandindo, temos projetos importantes em curso, a exemplo da fábrica de papel tissue da Suzano, a modernização e ampliação da fábrica de chocolates da Garoto. Temos também a consolidação de negócios como a Café Cacique, a Olam e a Cacau Show, além dos planos de expansão de companhias como Weg, Marcopolo e Brametal”, destacou Cris Samorini.  

Por Lorena Zanon, com informações do Observatório da Indústria da Findes

 

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