As 16 carretas, caminhões e escolas móveis do Sesi, Senai e IEL já cobriram 60% do Estado, com mais de 80 mil atendimentos gratuitos realizados desde 2013

As Unidades Móveis do Sistema Findes chegam ao ano de 2017 com muito a comemorar. Presentes no Estado do Espírito Santo há cerca de três décadas, elas vivem mais um ciclo evolutivo na gestão do presidente do Sistema Findes, Marcos Guerra. De 2013 para cá, foram inauguradas ou totalmente reformuladas 12 unidades. Atualmente, são 16 carretas, caminhões e escolas móveis que realizam atendimentos gratuitos para pessoas que não conseguiriam qualificar-se por residirem em localidades onde não contavam com unidades fixas de Sesi, Senai e IEL. Somente nesse período (até janeiro de 2017), foram realizados cerca de 80 mil atendimentos gratuitos em 47 cidades – aproximadamente de 60% dos 78 municípios capixabas.

“Com qualificação é possível inovar, criar e desenvolver a indústria a partir de qualquer região. Foi pensando nisso que buscamos interiorizar ainda mais as nossas ações e diversificamos as ferramentas para atender as indústrias. Hoje, o Sistema Findes está presente em todo o Estado por meio das Unidades Móveis, sempre dialogando, levando soluções e estimulando o desenvolvimento econômico capixaba”, completa Guerra, lembrando que duas novas Unidades Móveis serão entregues em 2017: o Cozinha Capixaba (carreta do Sesi-ES com cursos sobre culinária regional), no dia 22 de fevereiro; e a carreta Automotiva (do Senai-ES), com previsão de entrega para junho desse ano.

Fazendo coro ao presidente Marcos Guerra, o diretor regional do Senai-ES e superintendente do Sesi-ES, Luis Carlos Vieira, reforça que o Sistema Findes possui uma estrutura de qualificação profissional que pode chegar a qualquer localidade, dos pátios das empresas aos distritos e municípios mais afastados. “Nós podemos levar educação profissional para qualquer local. Vamos aonde o aluno está. Além disso, nossas Unidades Móveis possuem tecnologia de ponta e uma equipe altamente qualificada. Nós queremos não só atender as demandas do setor industrial capixaba, como também qualificar uma parcela da população carente de oportunidades, aumentando a geração de emprego e renda”, destaca Vieira.

Desafio

O gerente de Unidades Móveis Sesi/Senai/IEL no Espírito Santo, Leonardo Leal, dá mais detalhes sobre o momento atual nessa modalidade de ensino em território capixaba. “São carretas, caminhões e escolas móveis (desmontáveis) que possuem laboratórios e estrutura completa para a execução dos mais diversos cursos”, explica. “Algumas unidades foram adaptadas de veículos já existentes. Mas, seguindo o pedido do presidente Marcos Guerra, fizemos, em 2013, uma unidade “do zero’, que foi a carreta de Construção Civil. A partir do sucesso de sua operação recebemos a missão de evoluirmos ainda mais, chegando ao expressivo número de 16 Unidades Móveis”, destaca Leal.

O atendimento com as Unidades Móveis do Sistema Findes é feito a partir do estudo das demandas industriais de cada região do Estado. Podem ser solicitadas por grandes indústrias ou por um grupo de empresas de um setor específico que careça de qualificação de mão de obra. As prefeituras também podem solicitar, por meio de parceria com o Sistema Findes. Todos os cursos oferecidos são de qualificação, aperfeiçoamento e iniciação profissional, de curta duração (de 160h a 480h) e, em sua maioria, gratuitos para a população. Os critérios de seleção são definidos pelo solicitante, normalmente com foco social (população de baixa renda), com exceção de cursos que demandam uma escolaridade mínima. Além disso, as Unidades Móveis também podem atuar no Projeto Ocupação Social, realizado em parceria com o Governo do Estado do Espírito Santo.

Transformando vidas

As Unidades Móveis do Sistema Findes têm promovido grandes transformações nas vidas de todos os envolvidos, sejam os alunos e seus familiares, sejam os docentes que transmitem seu conhecimento. “É uma experiência gratificante poder atuar como docente de um projeto tão importante como esse. Nós levamos qualificação profissional a localidades onde essas oportunidades não chegam”, destaca o docente de Solda do Senai-ES, Alexssandro Lemos da Silva. “Também qualificamos mão de obra em regiões com investimentos previstos, a exemplo de Presidente Kennedy, no extremo sul do Espírito Santo, onde a população local não contava com oportunidade de qualificação. Além disso, contribuímos ainda para grandes transformações em comunidades carentes, dando oportunidades a uma parcela da população em situação de risco social”, completa Alexssandro.

Um exemplo citado pelo professor é o de Romulo Molulo Barreto, morador da comunidade de Boa Vista, em Cariacica. “Como sempre fui envolvido com as atividades da escola de samba Independente de Boa Vista, ajudando na confecção de fantasias e carros alegóricos, soube de uma ação do Senai que visava a qualificar os cidadãos que atuavam no carnaval capixaba. Não pensei duas vezes e me inscrevi no curso de Solda. Apesar de prestar serviços para a escola de samba, eu não possuía qualificação na área e não poderia perder essa chance”, destaca Romulo. “Como eu venho de família humilde, nunca tive condições de pagar por um curso desses. Aproveitei a oportunidade de me qualificar e já passei por várias empresas como soldador, ganhando experiência para obter empregos ainda melhores na área”, completa.

Outro caso interessante é o de Lucas Costa Oliveira Luz, que fez o curso de Marcenaria e, em seguida, o de Técnico em Móveis, ambos do Senai Vila Velha, e acabou se tornando docente nas Unidades Móveis. “Fico muito feliz de usar a minha própria experiência pessoal para mostrar aos meus alunos que, mesmo morando em regiões muito afastadas dos grandes centros, eles podem se qualificar e ter uma perspectiva de vida muito melhor a partir disso”, diz. “Há pouco tempo tive a notícia de que um aluno de Marilândia (noroeste do Estado) que abriu uma oficina de artesanato em madeira após fazer o curso na Unidade Móvel. Em Presidente Kennedy também desenvolvemos um mercado até então inexistente na região para a área de Marcenaria. Isso definitivamente é a parte mais recompensadora do nosso trabalho”, comemora o docente.

Gerar emprego e renda é uma consequência natural da atuação das Unidades Móveis do Sistema Findes. Mas estimular o empreendedorismo pode ser considerado o maior desafio, ainda mais em tempos de crise econômica. Raquel Gonçalves Silva, moradora do distrito de São Benedito, que integra o município de São José do Calçado (extremo sul do Espírito Santo), se tornou empreendedora após fazer o curso de Padeiro. “Se não fosse a Unidade Móvel, jamais poderia abrir meu negócio. Na verdade, eu sequer teria contato com essa profissão, nem descobriria minha vocação para ela”, enfatiza Raquel, que hoje trabalha com encomendas de pães de diversos tipos, envolvendo toda a sua família em seu empreendimento. “Sou muito grata ao Sistema Findes por essa oportunidade, ainda mais por morar num distrito muito afastado das cidades maiores. Todo o material didático foi de primeira qualidade e agora só quero crescer no meu negócio. Inclusive, aguardo por um curso de Confeitaria. Essa oportunidade que tive me faz querer evoluir ainda mais nesse ramo”, ressalta a ex-aluna.

História

A primeira unidade móvel do Sistema Indústria nacional foi construída em 1971, em São Paulo, de acordo com a Confederação Nacional da Indústria – CNI. Era uma carreta acoplada a um vagão de trem adaptado, em que eram ministrados cursos de mecânica a diesel e de eletricista instalador no interior do Estado. Ao longo dos anos, as unidades móveis se multiplicaram e se modernizaram para atender às necessidades da indústria, incluindo barcos-escola, a exemplo dos que estão em operação no Estado do Amazonas. Hoje, o projeto atende a empresas de todo o país. Parcerias entre os Regionais e alguns países, como a feita entre São Paulo e Angola em 1999, levaram as unidades móveis ao exterior.

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Por Fabio Martins

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