Um estudo realizado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), estatal ligada ao Ministério de Minas e Energia, aponta que negócios na área são viáveis e requer investimento mínimo de U$ 10 milhões

Na noite de ontem (24), como parte da programação do Reate-ES, empresários e investidores capixabas se reuniram para definir detalhes da implantação de uma minirefinaria no Estado. A iniciativa tem sido discutida desde fevereiro, quando a EPE apresentou um estudo detalhando a viabilidade do projeto.

No evento, o presidente da RedePetro, Leonardo Veloso apresentou uma iniciativa que pode viabilizar a refinaria de pequeno porte. “Estamos num momento favorável em que o nosso país aprovou uma reforma importante. A tendência é que se inicie um novo ciclo econômico com ambiente mais seguro para a realização de investimentos. A ideia é criarmos uma empresa de sociedade anônima, reunindo empresários e investidores para formarmos a Petrocapi”, explicou Leonardo.

Segundo ele, a Petrocapi já nasce grande e com um capital social avolumado, o que viabiliza a realização de grandes projetos. “A minirefinaria é um exemplo e pode gerar mais desenvolvimento, mais arrecadação para o estado, mais oportunidades e mais empregos”.

Durante o evento, o presidente do conselho da Placas do Brasil, Luiz Cordeiro, apresentou o processo de concepção da sociedade do seu empreendimento. Essa empresa se destaca por ter sido criada nos mesmos moldes e está servindo de inspiração para o novo projeto petroleiro.

O coordenador do Fórum Capixaba de Petróleo e Gás, Durval Vieira, destacou que o Estado do Espírito Santo, com apenas 0,54% da extensão territorial do Brasil, é o segundo maior produtor de petróleo do país, com mais de 335 mil bpd, e abrange 60% do PIB nacional em um raio de 1000 km.

“Deixaríamos de trazer de fora óleo pesado e começaríamos a transformar o Espírito Santo em Estado petroleiro, ao invés se ser apenas produtor de petróleo. O objetivo é gerar negócios, desenvolvimento, agregando valor e verticalizando a produção de petróleo”, ressaltou Durval.

O evento foi promovido pela RedePetro, em parceria com o Fórum de Petróleo e Gás e contou ainda com a presença do presidente do conselho da ES Gás, Marcio Felix e a secretária de Petróleo e Gás do Ministério de Minas e Energia, Renata Isfer.

Entenda o debate

Em fevereiro deste ano, o então secretário de Estado de Desenvolvimento e atual presidente da ES Gás, Heber Resende e o coordenador do Fórum de Petróleo e Gás, Durval Vieira, participaram do lançamento das notas técnicas “O Refino no Brasil” e as “Refinarias de Pequeno Porte”, lançadas pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

A primeira nota técnica abordou o assunto “Panorama do Refino e da Petroquímica no Brasil” apresentando detalhes do parque de refino atual e aspectos relacionados à cadeia petroquímica no País. Tais segmentos são responsáveis pela oferta de derivados de petróleo, principalmente combustíveis, e produtos petroquímicos, utilizados amplamente na indústria, representando 3,9% do PIB industrial nacional em 2015.

A segunda Nota Técnica, “O Refino no Brasil e as Refinarias de Pequeno Porte” discutiu aspectos relacionados à implantação de refinarias de pequeno porte no Brasil, tendo em vista, o potencial da produção de petróleo em campos terrestres e os desafios do abastecimento nacional de derivados. Nesse contexto, analisam-se as condições para o sucesso desse tipo de empreendimento, como a disponibilidade regional de petróleo, as localizações potenciais, o tamanho dos mercados consumidores locais e a análise de viabilidade técnica-econômica dessas refinarias.

Por Cinthia Pimentel

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