Meeting FINDES CINDES debate cenário econômico e desafios para o futuro do Brasil e do ES

Encontro reúne empresários, economistas e lideranças para discutir competitividade, investimentos e oportunidades para a indústria 

Os desafios para o crescimento econômico, a competitividade da indústria e as perspectivas para o futuro do Brasil e do Espírito Santo estiveram no centro dos debates do primeiro dia do Meeting de Líderes Industriais 2026, realizado nesta sexta-feira (06). O encontro, que segue até sábado (07), reúne empresários, economistas e lideranças para analisar os cenários nacional e internacional, discutir os desafios do setor produtivo e identificar oportunidades para os próximos anos. 

Promovido pela Federação das Indústrias do Espírito Santo (FINDES) e pelo Centro da Indústria do Espírito Santo (CINDES), o evento acontece em Pedra Azul, Domingos Martins. Neste ano, o tradicional encontro de lideranças capixabas é apresentado pela Vale e conta com o patrocínio de ArcelorMittal, Banestes, ES Gás, Samarco, Sebrae, SENAI ES, SESI ES, Sicoob e Suzano. 

Na abertura do Meeting, o presidente da FINDES, Paulo Baraona, destacou a importância do encontro como espaço de reflexão, planejamento e construção de estratégias para fortalecer o ambiente de negócios. 

“Não controlamos todas as variáveis da economia, mas podemos compreender melhor os cenários, fazer escolhas mais qualificadas e participar das discussões que vão definir o ambiente em que nossas empresas irão operar nos próximos anos”, afirmou. 

Baraona também apresentou iniciativas desenvolvidas pela FINDES e pelo CINDES para ampliar a competitividade das empresas capixabas. Entre elas, destacou a Câmara de Mediação e Arbitragem CINDES/FINDES, que oferece mecanismos para a resolução de conflitos empresariais de forma mais ágil, e o Conexão CINDES, plataforma que aproxima empresas e amplia as oportunidades de compra e venda de produtos e serviços, especialmente para micro e pequenos negócios. 

Outra iniciativa mencionada foi o Indicador de Ambiente de Negócios (IAN), desenvolvido pelo OBSERVATÓRIO FINDES, que chega ao seu sétimo ano. A ferramenta reúne informações sobre os 78 municípios capixabas e contribui para a elaboração de políticas públicas voltadas à melhoria do ambiente de negócios. 

O presidente também ressaltou a atuação da Federação na atração de investimentos e na preparação da indústria local para aproveitar novas oportunidades. Como exemplo, citou o trabalho desenvolvido pela FINDES e pelo SENAI para apoiar a chegada da GWM ao Espírito Santo. 

“Temos realizado inúmeras conversas com a empresa para entender as demandas de cada etapa do processo e promover rodadas de negócios em busca de fornecedores. Um país sem indústria é um país dependente. Quem agrega valor ao que é produzido é a indústria”, afirmou Baraona. 

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, que veio ao estado para participar do Meeting, defendeu a atuação conjunta das lideranças empresariais e institucionais para enfrentar os desafios estruturais do país e construir um ambiente mais favorável ao desenvolvimento. 

“Ouvimos muito que o Brasil é o país do futuro, mas precisamos que esse futuro seja já. Precisamos trabalhar juntos para construir soluções e contribuir com sugestões”, destacou. 

Alban também chamou a atenção para os impactos do Custo Brasil, especialmente no setor de energia. Segundo ele, apesar de apresentar condições favoráveis para a produção energética, o país ainda enfrenta distorções que comprometem a eficiência e elevam os custos para o setor produtivo. 

A vice-presidente do CINDES, Sandra Kwak, reforçou o papel do Meeting na aproximação entre lideranças e na geração de oportunidades para as empresas capixabas. 

“Existe um grande interesse em fortalecer o ambiente de negócios do Espírito Santo. O CINDES busca justamente aproximar pessoas e empresas, criando condições para novas conexões e oportunidades. Um exemplo é o Conexão CINDES, plataforma que desenvolvemos para ampliar as relações comerciais entre empresas capixabas”, ressaltou. 

O procurador-geral de Justiça do Ministério Público do Espírito Santo, Francisco Berdeal, destacou a importância da segurança jurídica e do diálogo institucional para o desenvolvimento econômico e social.  

“O papel dos líderes é manter o diálogo, contribuir para a evolução do Estado, para a estabilidade da sociedade e para que a população tenha oportunidades”, afirmou. 

 

O governador eleito do Espírito Santo, Lorenzo Pazolini, e o deputado federal e senador eleito Evair de Melo também participaram do primeiro dia do Meeting.

“O setor produtivo tem um papel de extrema importância para o desenvolvimento do Estado”, disse Evair.

Pazoline complementou em sua fala, apontando que:

“Precisamos nos unir enquanto instituição e sociedade. É preciso termos aproximação entre governo, empresas e instituições na construção de uma gestão pública orientada pela eficiência, inovação, diálogo e resultados para a população.”

 

Cenário econômico e oportunidades para a indústria brasileira 

O economista e mestre em Economia Política André Perfeito apresentou a palestra “Cenário macroeconômico nacional e internacional: perspectivas econômicas e impactos para a indústria brasileira”. 

Durante a apresentação, analisou as transformações do mercado de trabalho, o comportamento dos juros e os impactos do cenário econômico sobre a competitividade e a rentabilidade das empresas. 

Segundo Perfeito, as mudanças nas relações de trabalho e a expansão de formas alternativas de ocupação têm alterado a dinâmica do emprego no Brasil. Ao mesmo tempo, o elevado patamar das taxas de juros e o aumento dos custos de produção pressionam as margens de lucro das empresas. 

O economista destacou que, diante desse cenário, os empresários precisam acompanhar os movimentos do mercado e identificar oportunidades estratégicas, inclusive de aquisição de empresas, incorporação de tecnologias e expansão para novos mercados. 

“Vejo muitas empresas boas que têm balanços ruins devido às margens comprimidas. Cada empresário enfrenta o dilema de que os juros não vão cair rapidamente. Vocês verão muitas empresas boas para comprar, adquirir uma tecnologia ou acessar mercados aos quais antes não tinham acesso”, avaliou. 

Para Perfeito, o processo de consolidação empresarial pode representar uma oportunidade de fortalecimento da indústria nacional, especialmente diante do interesse de grupos internacionais no mercado brasileiro. 

Painel Indústria em Alta: investimentos, inovação e pessoas no centro do debate 

Os desafios e as oportunidades para o crescimento industrial também foram discutidos no painel “Indústria em Alta”, que reuniu o presidente da FINDES, Paulo Baraona; a vice-presidente financeira da Federação, Eduarda Buaiz; o economista André Perfeito; e a head de Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Vale, Leidiane Frade. 

A conversa foi mediada pela economista-chefe da FINDES e gerente executiva do OBSERVATÓRIO FINDES, Marília Silva. 

Paulo Baraona: Ainda estamos debatendo o século XX 

Durante o debate, Baraona destacou que o Brasil ainda precisa superar entraves históricos à competitividade, especialmente nas áreas de infraestrutura, logística e saneamento básico. 

“Temos vários fatores relacionados ao Custo Brasil que são pautas do século passado e que ainda precisamos enfrentar. Temos uma infraestrutura defasada, não apenas logística, mas também de saneamento. Ainda existem regiões do país sem acesso adequado à coleta e ao tratamento de esgoto e à água tratada”, afirmou. 

Apesar dos desafios nacionais, o presidente ressaltou as perspectivas positivas para o Espírito Santo, que reúne uma carteira de mais de R$ 120 bilhões em investimentos previstos até 2031, segundo a Bússola do Investimento do OBSERVATÓRIO FINDES, dos quais mais de 80% são de origem privada. 

Segundo Baraona, a localização estratégica do Estado e o ambiente de negócios construído nos últimos anos contribuem para a atração de novos empreendimentos. Ele também destacou o efeito multiplicador dos grandes investimentos, que movimentam cadeias produtivas, atraem fornecedores e criam oportunidades para empresas de diferentes portes. 

Eduarda Buaiz: Qualificação profissional e inovação 

A vice-presidente financeira da FINDES, Eduarda Buaiz, destacou a importância da qualificação profissional e da valorização das pessoas para garantir a competitividade da indústria. Segundo a executiva, um dos principais desafios enfrentados pelas empresas é atrair e reter jovens profissionais, especialmente em um contexto de transformação tecnológica e mudanças nas expectativas das novas gerações. 

Eduarda ressaltou que os investimentos em tecnologia, robótica e inteligência artificial precisam estar associados a uma gestão próxima dos colaboradores, capaz de promover o desenvolvimento profissional e a retenção de talentos. 

“Inovação é um elemento essencial para a sustentabilidade dos negócios, sem perder de vista a identidade das empresas e as necessidades dos consumidores. Temos que trazer inovação, mas mantendo a tradição e de olho no que os clientes querem”, destacou. 

Eduarda ainda ressaltou a importância de ampliar a participação feminina no setor industrial e de criar oportunidades para que mais mulheres ocupem espaços na indústria. 

Leidiane Frade: Sustentabilidade e novas formas de liderança 

A head de Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Vale, Leidiane Frade, abordou a importância da sustentabilidade e da gestão eficiente dos recursos naturais para o futuro da indústria. 

Como exemplo, destacou as práticas de gestão hídrica adotadas pela Vale. Segundo a executiva, 80% do abastecimento de água das unidades da empresa é proveniente de fontes como reaproveitamento, captação de chuva e tratamento. 

Leidiane também chamou a atenção para os desafios relacionados à gestão de pessoas e à integração entre diferentes gerações no ambiente de trabalho. “A empresas precisam criar ambientes que ofereçam segurança psicológica, valorizem o diálogo e permitam que os profissionais compreendam o propósito de suas atividades.” 

A executiva destacou ainda que a adaptação às novas gerações exige mudanças não apenas por parte dos jovens que chegam ao mercado, mas também das lideranças e dos profissionais que já integram as organizações. 

André Perfeito: Perspectivas para o Espírito Santo 

Ao analisar as oportunidades para a indústria capixaba, André Perfeito destacou as vantagens competitivas do Espírito Santo e o potencial de desenvolvimento de suas cadeias produtivas. O economista ressaltou que a indústria possui uma extensa cadeia de produção, capaz de gerar valor, movimentar diferentes setores da economia e ampliar oportunidades de negócios. 

Na avaliação dele, o Espírito Santo apresenta condições favoráveis para aproveitar as transformações econômicas e fortalecer sua posição no cenário nacional, especialmente por meio de investimentos, inovação e integração das cadeias industriais. 

Por Siumara Gonçalves | Fotos: Hélio Filho/FINDES

 

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