23/09/2015 – Artigo – “Novo erro, velho ajuste”

Texto originalmente publicado no jornal A Gazeta, na editoria de Opinião, no dia 23 de setembro de 2015.

*Marcos Guerra é presidente do Sistema Findes

O Governo Federal caminha para cometer um dos maiores erros da história recente da economia brasileira. Mesmo diante da crise, ocasionada em grande parte por seus próprios erros, a presidente Dilma Rousseff opta por jogar nos ombros da população a conta que deveria pagar. Considerando a queda de 6,6% na produção física industrial e o recuo de 2,4% no varejo – registrados no país de janeiro a julho –, a proposta de aumento de tributos é uma ofensa aos setores que geram empregos no país.

A insatisfação da sociedade e a desconfiança de investidores e empreendedores surgem ainda em 2014, quando o governo ignorou o prognóstico dos especialistas para garantir uma reeleição baseada em falsas promessas. Quase um ano depois, Dilma tenta compensar os novos erros com velhas estratégias. Em crise política, o Congresso também se encontra dividido e precisará de forças para enfrentar a desorientação do Governo, defender a segurança jurídica e a manutenção do emprego.

O Brasil tem hoje uma das maiores cargas tributárias do mundo, com cerca de 36% do PIB, semelhante à Alemanha. Aqui, porém, a população não encontra infraestrutura adequada e serviços de primeiro mundo em educação, saúde e segurança. No setor produtivo, a diferença também é assustadora: sem um plano de desenvolvimento, nosso país oscila à mercê do mercado internacional; com baixa competitividade, somos superados por China, África do Sul, México e até mesmo países vizinhos, como o Chile.

Ninguém pode suportar tamanho arrocho. Será preciso que o desemprego atinja níveis intoleráveis e que as empresas fechem as portas para o governo federal começar a cortar, de fato, na própria carne? A máquina pública está inchada, lenta e burocrática. Falta eficiência e sobram áreas onde é possível enxugar gastos: ministérios, cargos comissionados, auxílios, diárias, entre tantos outros benefícios fartamente divulgados pela imprensa diariamente.

É preciso ressaltar que a retirada de recursos do Sistema S é um retrocesso, uma afronta ao que dá certo neste país. Garantida pelo artigo 240 da Constituição, a verba repassada a Sesi, Senai, Sebrae, entre outras entidades, permite a operação de uma das maiores e melhores redes de educação profissional e de orientação empresarial do mundo. Somente no Espírito Santo, Sesi e Senai prestam mais de 500 mil atendimentos por ano.

Não podemos aceitar que o Brasil seja conduzido a mais um grave erro. Nós, da Findes, lutaremos contra qualquer tipo de cobrança que aumente o custo de vida. É hora de unirmos forças e lutarmos por um país mais justo, sem regalias e desigualdades. O povo brasileiro não aceitará pagar essa conta sozinho.

 

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