Estudo da FINDES e do Bandes revela potencial do ES para transformar resíduos em energia limpa

Reunião na FINDES apresentou resultados preliminares do estudo sobre o potencial do Espírito Santo para produção de biogás por ano a partir de resíduos da pecuária, agricultura e saneamento. | Foto: Wanessa Eustachio

Mapeamento, financiado pela Open Sciety Foundations, identifica oportunidades para aproveitar resíduos da agropecuária e do saneamento na produção de biogás e biometano, fortalecendo a transição para uma economia de baixo carbono. 

 

Resíduos da pecuária, da agricultura e do saneamento que hoje são gerados no Espírito Santo podem se transformar em energia limpa, novos negócios e oportunidades de emprego e renda. Os resultados preliminares do estudo desenvolvido pelo OBSERVATÓRIO FINDES apontam que o Estado tem potencial para produzir cerca de 317 milhões de Nm³ (metro cúbico normal, usado para indicar o volume de um gás sob condições padrões de pressão e temperatura) de biogás por ano, revelando uma oportunidade relevante para ampliar o uso de fontes renováveis e impulsionar a economia de baixo carbono no território capixaba. 

Os dados fazem parte do projeto “Economia Verde no Espírito Santo: Impactos Socioeconômicos e Estratégias para um Ecossistema de Negócios Baseado em Biomassa”, produzido pela Federação das Indústrias do Espírito Santo (FINDES), por meio do OBSERVATÓRIO FINDES, em parceria com o Bandes e a Open Society Foundations. Os primeiros resultados foram apresentados nesta quarta-feira (12), na sede da Federação, em Vitória. 

Além de dimensionar o potencial de produção, o trabalho busca entender como a biomassa disponível no Estado pode ser aproveitada para gerar biogás e biometano – combustível renovável que pode substituir fontes fósseis em diferentes atividades – e criar oportunidades de investimento. 

O projeto está organizado em duas frentes.  A primeira mapeia   a cadeia de biogás e biometano. A segunda analisa os chamados empregos verdes e os impactos socioeconômicos que investimentos em descarbonização podem gerar no Estado. 

“Estamos transformando dados em inteligência para identificar oportunidades que conciliem desenvolvimento econômico e sustentabilidade.  O Espírito Santo já avança na agenda de descarbonização, e esse trabalho nos ajuda a conectar o potencial dos territórios às demandas da indústria, gerando oportunidades de desenvolvimento, emprego e renda”, destaca o presidente da FINDES, Paulo Baraona.

O diretor-presidente do Bandes, Marcelo Saintive, explica que, para a instituição, essa agenda tem relação direta com o papel de banco de desenvolvimento e com o compromisso de apoiar a transição energética na prática, contribuindo para transformar o potencial energético do Estado em desenvolvimento sustentável, competitividade e novas oportunidades. 

“Discutir o potencial da bioenergia para o desenvolvimento do Espírito Santo é estratégico, especialmente em um momento em que o Estado avança na agenda de descarbonização e na busca por uma economia mais sustentável e competitiva. O projeto Economia Verde no Espírito Santo contribui para essa discussão ao avaliar o potencial do biogás e do biometano não apenas como alternativas renováveis para a matriz energética, mas também como vetores de atração de investimentos, inovação, geração de empregos e desenvolvimento de novas cadeias produtivas”, pontua Saintive. 

O gerente global de Programas e líder da Open Society Foundations no Brasil, Iago Hairon, explica que apoiar iniciativas voltadas à industrialização verde e à geração de oportunidades econômicas está alinhado à atuação da instituição, que busca conectar transição verde, desenvolvimento econômico e geração de empregos. 

“Nessa perspectiva, o projeto Economia Verde no Espírito Santo, desenvolvido pela FINDES, por meio do OBSERVATÓRIO FINDES, em parceria com o Bandes, está plenamente alinhado à nossa visão estratégica. A iniciativa avaliará setores verdes estratégicos para o Estado e seu potencial de geração de empregos, contribuindo para o desenvolvimento econômico local, a diversificação produtiva e a construção de uma transição verde mais inclusiva e sustentável”, afirma Iago.

Potencial para novos negócios

Na frente de biogás e biometano, o primeiro estudo – “Diagnóstico da Cadeia de Biogás e Biometano no Espírito Santo”, – dimensiona o potencial teórico de produção a partir da biomassa gerada nos 78 municípios capixabas. Dos 317 milhões de Nm³ estimados por ano, 42% estão associados à pecuária, 33% à agricultura e 25% ao saneamento. Assim, 75% do potencial identificado têm origem nas atividades agropecuárias.

O levantamento vai além da estimativa de produção. A análise considera a localização e as características da biomassa, os potenciais consumidores e as condições de infraestrutura, logística e regulação necessárias para transformar esse potencial em projetos e negócios.

Para orientar essa análise territorial, o Espírito Santo foi organizado em oito Regiões Geográficas Imediatas, recorte adotado pelo IBGE que reúne municípios conectados por relações econômicas, serviços, deslocamentos e atividades do dia a dia. Os resultados preliminares mostram que cada uma dessas regiões apresenta características próprias de produção, disponibilidade de biomassa, infraestrutura e mercado, indicando que os projetos e modelos de negócio deverão considerar as vocações e particularidades de cada território.

“O objetivo do estudo não é apenas dimensionar quanto de biogás poderia ser produzido no Espírito Santo, mas entender onde esse potencial está concentrado, quais biomassas estão disponíveis e quais condições precisam ser desenvolvidas para transformá-lo em projetos e negócios. Ao olhar para os territórios, conseguimos identificar diferentes vocações e oportunidades e gerar informações que apoiem decisões de empresas, investidores e do poder público”, explica Marília Silva, economista-chefe da FINDES e gerente-executiva do OBSERVATÓRIO FINDES.

 

Um dos pontos identificados pelo levantamento é que boa parte da biomassa de origem agropecuária está no interior do Estado, enquanto uma parcela importante dos potenciais consumidores de energia está concentrada nos polos industriais, especialmente na Grande Vitória. Aproximar esses dois pontos é um desafio de logística e infraestrutura, mas também abre espaço para novos projetos e soluções capazes de conectar a produção ao consumo.

Próxima etapa vai aprofundar análise dos territórios

Na próxima etapa, o estudo vai avançar na caracterização dos Polos Agroindustriais de Biomassa, identificando áreas com melhores condições para o desenvolvimento de projetos de biogás e biometano e compreender melhoras características, a realidade e necessidades de cada região, bem como a dinâmica dos atores dos territórios.

A diretora Operacional do Bandes, Gabriela Vichi, destaca que a transição para uma economia mais verde precisa gerar oportunidades reais para as pessoas, as empresas e o Estado. Para ela, entender o potencial do mercado de biomassa no Espírito Santo, a partir dos estudos e análises do OBSERVATÓRIO FINDES, é fundamental para identificar caminhos de desenvolvimento.

“Juntos, conseguimos entender melhor as necessidades do nosso setor produtivo, olhar para os desafios e, principalmente, identificar caminhos para transformar boas ideias em projetos e investimentos. Participar desta discussão sobre biogás e biometano é mais um passo nessa construção coletiva de um Espírito Santo que cresce de forma sustentável, rumo a uma economia cada vez mais de baixo carbono”, destaca Gabriela.

Empregos verdes e desenvolvimento 

A segunda frente do projeto vai analisar como a transição para uma economia de baixo carbono pode impactar o mercado de trabalho capixaba. O estudo “Empregos Verdes e o Impacto de Investimentos Estratégicos no Espírito Santo”, vai identificar setores, ocupações e regiões relacionados às atividades verdes e criar uma base para acompanhar a evolução desses empregos no Estado. Também serão avaliados os impactos de investimentos estratégicos em descarbonização sobre produção, emprego e renda ao longo das cadeias produtivas. 

“No mapeamento de biogás e biometano, vamos aprofundar a análise dos territórios gerando informações que poderão subsidiar o desenvolvimento de projetos futuros. Na frente de empregos verdes, vamos identificar como os investimentos em descarbonização podem repercutir sobre produção, emprego e renda. Assim, conseguimos compreender tanto o potencial ambiental quanto os efeitos econômicos e as oportunidades de desenvolvimento regional”, detalha Marília.

Os resultados dos estudos desenvolvidos pelo OBSERVATÓRIO FINDES e pelo Bandes, em parceria com a Open Society Foundations reúnem informações que podem apoiar empresas, produtores, investidores e o poder público na identificação de oportunidades, na estruturação de projetos, na formulação de políticas e na criação de mecanismos de financiamento voltados à economia de baixo carbono.

Estudo mobiliza diferentes setores em torno da economia verde 

Os resultados preliminares do projeto foram apresentados nesta quarta-feira (12), durante encontro realizado na sede da FINDES, que reuniu representantes do setor produtivo, do poder público e de instituições ligadas ao desenvolvimento e à sustentabilidade. Participaram do evento o presidente da FINDES, Paulo Baraona; o secretário de Estado de Desenvolvimento, Rogério Salume; a gerente-executiva do OBSERVATÓRIO FINDES, Marília Silva; a diretora Operacional do Bandes, Gabriela Vichi de Almeida; e o gerente Global de Programas e líder no Brasil da Open Society Foundations, Iago Hairon, além de outras autoridades e representantes de empresas e instituições capixabas. 

Durante o encontro, a gerente de Inteligência de Dados e Pesquisas do OBSERVATÓRIO FINDES, Suiani Febroni, apresentou os primeiros resultados do estudo e mostrou como o mapeamento pode contribuir para identificar oportunidades de aproveitamento da biomassa no Espírito Santo. A apresentação também trouxe elementos para o debate sobre como transformar esse potencial em projetos, investimentos e novos negócios, conciliando desenvolvimento econômico, geração de oportunidades e sustentabilidade. 

Por Wanessa Eustachio 

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