Findes defende redução de spread e de custo Brasil

A Federação das Indústrias do ES defendeu a redução do chamado custo Brasil e também do spread bancário (é a diferença entre o que os bancos pagam na captação de recursos e o que eles cobram ao conceder um empréstimo para uma pessoa física ou jurídica), em entrevista coletiva realizada para a imprensa estadual nesta terça-feira (11) na sede da Findes, na Reta da Penha. Um levantamento inédito feito pelo MBC (Movimento Brasil Competitivo) mostra que o custo Brasil, que são as despesas adicionais para se empreender no país, chegam a R$ 1,5 trilhão por ano, ou 22% do PIB. Já os juros bancários cobrados, por exemplo, pelo Banestes, chegam a 40% ao ano, enquanto a taxa Selic está em somente 4,25%.

A entrevista coletiva foi motivada pelo resultado da produção industrial e pelas perspectivas de investimentos no Brasil e no Espírito Santo. A produção industrial brasileira de 2019, divulgada na terça-feira pelo IBGE, recuou em 7 dos 15 locais pesquisados. As maiores quedas foram no ES (-15,7%) e MG (-5,6%), e na média geral a produção do país recuou 1,1%. O diretor executivo do Ideies, Marcelo Saintive, ressalta, porém, que as perspectivas para 2020 são positivas, com as reformas estruturais e o ajuste fiscal promovidos pelo governo federal, a situação fiscal já favorável do ES e com investimentos previstos para o Estado, que somam R$ 62,4 bilhões até 2023.

Além disso, há indicadores positivos na economia capixaba que não são medidos pela metodologia do IBGE. O presidente da Findes, Léo de Castro, observou por exemplo que o consumo de energia elétrica no ano passado cresceu quase 6% no Estado, a arrecadação de ICMS subiu 3% e o saldo positivo na geração de empregos é de cerca de 3 mil vagas. A previsão da LCA consultoria é que o Espírito Santo vai crescer 5,2% neste ano – a previsão da CNI é que o país vai crescer 2,5% e a indústria, 2,8%.

Mas, para que o país cresça de forma sustentada, há duas questões que precisam ser enfrentadas, destacou Léo de Castro: o custo Brasil e o spread bancário. O estudo do MBC, que identificou que o custo Brasil representa 22% do PIB, foi desenvolvido ao longo de quatro meses no ano passado, em parceria com o Ministério da Fazenda. O levantamento fez uma comparação entre o custo de se empreender no Brasil em relação ao custo verificado nos países da OCDE, Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico.

Sobre o estudo

O estudo contemplou 12 itens relativos ao ciclo de vida de uma empresa, entre eles: abrir um negócio, financiamento, empregar capital humano, infraestrutura, ambiente jurídico e regulatório eficaz e pagamento de tributos. “Além das reformas que estão em andamento, o país precisa enfrentar essa agenda. Isso é um custo que é pago por todos nós, como contribuintes”, disse Léo de Castro.

Quanto ao spread bancário, o presidente da Findes destaca que as instituições financeiras não estão acompanhando a revolução dos juros no país, que nunca estiveram tão baixos. A taxa Selic está em 4,25%, com uma inflação de 3,5%, o que significa que o país tem 0,7% de juro real. Só que essa redução não chega para o consumidor nem para o empreendedor.

A taxa média de juros cobrados para capital de giro até 365 dias verificada ao longo de 2019 foi de 24,9%, de acordo com o BEC, Boletim Econômico Capixaba, uma publicação do Ideies. A maior taxa é cobrada pelo Banestes, 40,1%, seguido de Caixa Econômica, com 34,6%. Já a menor taxa é cobrada pelo Banco do Brasil: 12,7%. Todas muito acima da Selic.

“As instituições financeiras precisam ser mais competitivas e estimular consumo, não gerar lucros bilionários. Estimulando o consumo, elas estimulam as vendas, a produção industrial e é isso que gera empregos e faz o país crescer. Temos dois bancos no Espírito Santo, o Bandes e o Banestes, que poderiam ser mais competitivos”, afirmou Léo de Castro.

O diretor executivo do Ideies, Marcelo Saintive, destacou que estão em discussão, no Banco Central e na Receita Federal, iniciativas que ampliem o acesso das fintechs e dos bancos digitais aos serviços de recebimento. O objetivo é justamente estimular a concorrência e a eficiência no mercado de crédito brasileiro.

Confira a publicação completa produzida pelo Ideies!

Por Andre Hees

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