Soumitra Dutta: Brasil tem potencial para inovar, mas precisa se conectar às instituições de ensino e empresas

Investir em inovação é uma das maneiras mais eficazes de manter uma empresa em bom nível de competitividade e até mesmo de destacá-la em períodos de crises econômicas. A questão é que, o caminho para que o Brasil conquiste melhores indicadores de inovação, passa por um estreitamento de relação entre a indústria e a academia, e também pela criação de uma estratégia nacional.

O diagnóstico foi feito por Soumitra Dutta, professor da Cornell SC Jhnson College of Business e um dos responsáveis pelo Índice Global de Inovação, durante o Innovation Meeting, que aconteceu nesta semana. “É preciso ter uma ligação maior entre a indústria e academia. Para isso, além de desenvolver essa cultura internamente, é importante se aliar a profissionais e instituições que possuem a pesquisa no DNA. Essa conexão precisa ser extremamente forte”, afirma.

Durante palestra no Innovation Meetting, realizado no auditório da Petrobras, Dutta contextualizou os efeitos da transformação 4.0 sobre a indústria e a sociedade. Para ele, não há dúvida do imenso potencial que existe nos centros universitários brasileiros.

“Dentro dos ambientes acadêmicos nascem projetos inovadores que podem revolucionar os diversos setores da economia, melhorar a vida das pessoas e fazer o país se desenvolver de maneira mais sustentável. O ponto que precisa de atenção é justamente o da conexão entre as instituições de ensino e a iniciativa privada. Os dois lados têm interesses complementares, pois um tem como objetivo gerar conhecimento e o outro precisa de apoio para desenvolver novas tecnologias e soluções para manter a roda da economia girando em ritmo acelerado. Dessa forma, quanto mais intensa for essa aproximação, maior será o número de recursos colocados à disposição da sociedade”.

“No ranking de 2018, o Brasil melhorou cinco posições, mas ainda ficou em 64º lugar entre 126 economias analisadas. Alguns fatores explicam por que o país está no meio da tabela em inovação, e um deles é essa falta de comunicação entre o mercado e a universidade. É urgente a necessidade de aproximar os professores das instituições de ensino das empresas, e essa ainda não é uma cultura no Brasil”, comentou.

De acordo com Soumitra, o ambiente para o desenvolvimento de startups também precisa avançar. “O Brasil possui um enorme potencial, mas ainda precisa estruturar um ecossistema colaborativo de inovação a exemplo do que têm feito Alemanha, China, Estados Unidos, França e Índia. Este é um importante passo para protagonizar a revolução industrial em curso”.

– Confira como foi o evento em fotos:

Innovation Meeting
*Passe o mouse sobre a foto para visualizar a galeria

Innovation Meeting

Uma oportunidade para provedores de soluções apresentarem conteúdos, novas criações e gerarem insights que podem ajudar a reduzir custos, aumentar eficiência e até mudar a forma como as empresas fazem negócios e se relacionam com seus clientes e parceiros. Esse é um dos objetivos do Innovation ​Meeting​, que aconteceu no dia 29 de outubro e reuniu empresários, governo e estudantes envolvidos em empreendimentos que são impactados por um ambiente de estímulo à inovação. ​

O evento, que foi realizado no auditório da Petrobras, em Vitória, é uma iniciativa da ​Mobilização Capixaba pela Inovação (MCI)​ e busca o alinhamento de ações dos atores capixabas, públicos e privados, para criar condições que estimulem a inovação no Espírito Santo, contribuindo para o surgimento de um novo ciclo econômico e prosperidade para a sociedade capixaba.​

Por Cinthia Pimentel

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