36% dos empresários consideram infraestrutura do Sudeste regular, ruim ou péssima, mostra estudo da CNI

Rodovia, circulação de veículos. Rodovia dos Bandeirantes. Rodovia federal
A frota total de veículos em operação na Região Sudeste é de 56 milhões, de acordo com dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) | Foto: Gilberto Sousa/CNI

Panorama da Infraestrutura traz informações sobre transportes, energia e saneamento na região. Estudo da CNI lista obras prioritárias para os 4 estados da região, além de potencial para petróleo e setor portuário

Lançado nesta terça-feira (15) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o estudo “Panorama da Infraestrutura – Região Sudeste” revela que 36% dos empresários industriais consideram as condições de infraestrutura da região como regular, ruim ou péssima. O levantamento da CNI reúne informações sobre as áreas de transporte, energia, saneamento básico e telecomunicações, bem como as propostas para melhorias da infraestrutura nos quatro estados da região.

Este trabalho é o terceiro de uma série de cinco produzidos pela CNI com o objetivo de estabelecer um retrato das condições de infraestrutura nas regiões brasileiras, identificando necessidades de investimento e pleitos do setor industrial.

Foto: Renan Donato/Findes

O presidente da CNI, Ricardo Alban, ressalta que o relatório busca contribuir para a melhoria da infraestrutura na região, fator fundamental para o fortalecimento da indústria e da economia.

“O setor produtivo brasileiro sente o elevado déficit de infraestrutura e os efeitos da deterioração das condições nessa importante área da economia. Estradas sem conservação, energia cara e restrições para o acesso aos principais portos repercutem diretamente na competitividade da indústria nacional e na atração de investimentos para o país”, afirma Alban.

O Sudeste é responsável por 52% do PIB industrial brasileiro. Isso reflete em grandes desafios para modernização dos acessos portuários, exploração de petróleo no pré-sal e aproveitamento de fontes renováveis como as hidrelétricas.

> Clique e confira o infográfico produzido pela CNI sobre indicadores de Infraestrutura da Região Sudeste

“Os maiores problemas de infraestrutura no Sudeste estão associados ao transporte rodoviário e às condições de acesso marítimo aos principais portos. A precariedade das rodovias públicas e o comprometimento da capacidade no Porto de Santos preocupam o setor industrial”, destaca o diretor de Relações Institucionais da CNI, Roberto Muniz.

O diretor alerta que a construção de uma agenda de investimentos na infraestrutura é um trabalho complexo, considerando um país de dimensões continentais como o Brasil. “Cada região tem suas particularidades e, portanto, diferentes estratégias devem ser adotadas para atender às necessidades locais, promovendo a eficiência e sustentabilidade dos projetos”, acrescenta Muniz.

De acordo com o estudo, 40% dos empresários do Sudeste apontam a infraestrutura rodoviária da região como regular, ruim ou péssima contra a média nacional de 54%. Os dados indicam que para o Sudeste superar as restrições logísticas é fundamental que sejam priorizadas obras de manutenção, adequação e expansão de corredores logísticos estratégicos, como a Ferrovia Centro Atlântica (FCA), a BR-381, a BR-116, a BR-101, a BR-262 e a Terceira Via de Ligação entre a Baixada Santista e a Capital Paulista.

Produção de petróleo e movimentação de contêineres ganham destaque no Sudeste

Atualmente, o Brasil é o 9º maior produtor mundial de petróleo e a Região Sudeste responde pela quase totalidade da produção nacional. Em 2023, a produção de petróleo nos estados localizados no Sudeste foi de 193 milhões de m³. Nesse período, esses estados foram responsáveis por 98% do total da produção nacional de petróleo. Este alto percentual destaca a importância da região para o setor petrolífero.

Outro ponto de destaque no Sudeste é a movimentação de contêineres. Só o Porto de Santos movimentou 4,3 milhões de Twenty-Foot Equivalent Units (TEUs) em 2023 – 37% do total nacional. O crescimento constante do fluxo de cargas portuárias tem gerado preocupações em relação a eficiência e a capacidade para atendimento da demanda nos próximos anos.

Números do trabalho

O “Panorama da Infraestrutura – Região Sudeste” contempla uma série de dados regionais, os quais são confrontados com informações nacionais, de modo que o leitor possa ter um parâmetro de comparação nos diferentes segmentos da infraestrutura.

Obras paradas

Dos 4.325 contratos analisados pelo Tribunal de Contas da União (TCU) nos estados que compõem a Região Sudeste foram identificadas 2.338 obras paralisadas (54%). Dos vários setores da infraestrutura, o saneamento básico e os transportes estão entre aqueles com mais elevado número de registros de paralisações na região.

Novo PAC

O Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), anunciado em agosto de 2023, prevê investimentos de R$ 1,7 trilhão em todos os estados do Brasil, sendo R$ 759,7 bilhões em obras, serviços e empreendimentos na Região Sudeste.

Frota de veículos

A frota total de veículos em operação na Região Sudeste é de 56 milhões, de acordo com dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) referentes a dezembro de 2023. Dessa frota, 58,5% são automóveis, 18,1% motocicletas, 5,4% de veículos de carga e 17,9% estão classificados como “outras modalidades de veículos”. Os números mostram, ainda, que o Sudeste tem 51,8% do total de automóveis do país.

Saneamento básico

As redes de esgoto atendem a 56% da população total do Brasil. A Região Sudeste se destaca, com o maior índice de atendimento do país – 80,9% da população é atendida com esgotamento sanitário. O Estado de São Paulo é o que apresenta a maior cobertura, com índice de 91%.

Índice de atendimento total de esgoto na Região Sudeste (2022)

SP – 91%

MG – 76%

RJ – 65%

ES – 60%

Dez aeroportos mais movimentados em relação a transporte de passageiros no Sudeste – 2023

(embarque e desembarque no mercado doméstico e internacional)

Foto: Iano Andrade | CNI

1 – Aeroporto de Guarulhos – 40.507.268

2 – Aeroporto de Congonhas – 21.869.812

3 – Aeroporto de Viracopos – 11.944.804

4 – Aeroporto de Santos Dumont – 11.201.517

5 – Aeroporto de Confins – 10.136.906

6 – Aeroporto de Galeão – 7.763.294

7 – Aeroporto de Vitória – 3.044.404

8 – Aeroporto de Uberlândia – 1.081.684

9 – Aeroporto de São José do Rio Preto – 713.638

10 – Aeroporto de Ribeirão Preto – 607.523

Avaliação dos empresários industriais

– 36% dos empresários industriais consideram as condições de infraestrutura como regular, ruim ou péssima na Região Sudeste. No Brasil, esse patamar é de 45%.

– No Brasil, 54% dos empresários industriais apontam a infraestrutura rodoviária como regular, ruim ou péssima. Na Região Sudeste, a situação relatada é melhor (40%).

– Cerca de 53% dos empresários industriais consideram a infraestrutura ferroviária como regular, ruim ou péssima na Região Sudeste. No Brasil, essa participação equivale a 52%.

– Na Região Sudeste, 25% dos empresários industriais dizem que a infraestrutura aeroportuária é regular, ruim ou péssima. Já no Brasil, esse percentual atinge 31% dos entrevistados.

– Na Região Sudeste, 35% dos empresários industriais afirmam que a infraestrutura portuária é regular, ruim ou péssima. Já no Brasil, equivale a 34%.

– Na Região Sudeste, 34% dos empresários industriais afirmam que a infraestrutura de energia é regular, ruim ou péssima. No Brasil, a situação é a mesma (34%).

– Na Região Sudeste, 45% dos empresários industriais afirmam que a infraestrutura de saneamento é regular, ruim ou péssima. Já no Brasil, equivale a 50%.

– Na Região Sudeste, 35% dos empresários industriais afirmam que a infraestrutura de telecomunicações é regular, ruim ou péssima. Já no Brasil, o percentual equivale a 38%.

Como avançar?

Principais propostas da CNI e das federações estaduais das indústrias da Região Sudeste

Energia Elétrica, Petróleo e Gás Natural

  • Expandir as redes do Gasoduto em MG e ES;
  • Destravar os projetos hídricos de MG que estão em tramitação na Aneel ou em fase de licenciamento ambiental;
  • Melhorar a capacidade da rede de distribuição de energia nos estados, reduzindo as quedas de tensão e desligamentos;
  • Fomentar a produção de biometano por meio do aproveitamento do setor sucroenergético paulista e dos resíduos sólidos urbanos;
  • Retomar a construção da usina termonuclear Angra 3;
  • Impulsionar o desenvolvimento do mercado de hidrogênio de baixo carbono na região;
  • Incentivar o projeto de Captura e Armazenamento de Carbono no norte do estado do Rio de Janeiro;
  • Rota 4:
    • Construir a Rota 4 do gás natural, abrindo caminho para o escoamento do gás natural produzido nas vastas reservas do pré-sal da Bacia de Santos;
    • Apoiar projeto de implementação da Rota 4b para escoamento do gás produzido e aumento da oferta na bacia de Campos e contribuir para agilidade nos processos de obtenção de
    • licenças;

Rodovias

  • Realizar obras de adequação, manutenção e expansão de corredores rodoviários estratégicos:
    • BR-040; BR-101; BR-116; BR-135; BR-251; BR-259; BR-262; BR-264; BR-342; BR-356; BR-365; e BR-447.

Ferrovias

  • Avançar na construção, adequação, aprovação e renovação de empreendimentos ferroviários:
    • Ferrovia Centro Atlântica (FCA);
    • Estrada de Ferro Vitória-Rio;
    • Malha Oeste e Sul; Ramal Sul da Estrada de Ferro Vitória a Minas; e
    • Ferrovia JK – EF 030; e
    • Ferrovia EF 352.

Mobilidade urbana

  • Construir, expandir e modernizar as infraestruturas para transporte urbano de passageiros:
    • Trem Intercidades de SP;
    • Malha Metroviária Fluminense; e
    • Ligação Seca entre Santos e Guarujá.

 

Portos e Hidrovias

  • Modernizar as administrações portuárias públicas e assegurar obras de adequação e expansão das infraestruturas:
    • Porto de Santos;
    • Porto do Rio de Janeiro;
    • Porto Imetame;
    • Porto de Itaguaí;
    • Porto do Forno;
    • Porto de Angra;
    • Licitação do Terminal STS-10;
    • Porto de Barra do Riacho;
    • Porto Central; e
    • Porto Petrocity.
  • Concluir as obras de ampliação do Canal de Nova Avanhandava da Hidrovia Tietê-Paraná.

 

Mais informações | SAC – Serviço de Atendimento ao Cliente

Telefone: 0800 102 0880   Whatsapp: 27 99841-2270 (clique aqui)
E-mails: [email protected] | [email protected] | [email protected] | [email protected]

RELAÇÕES COM A IMPRENSA | FINDES  

Rita Benezath – Assessoria de Imprensa
Telefone: (27) 99623-8089
E-mail: [email protected]

Beatriz Seixas – Assessoria de Imprensa 
Telefone: (27) 99623-8089
E-mail: [email protected]

Conteúdos Relacionados

Conteúdos Recentes

19 de agosto de 2026
Posicionamento | CNI e FINDES: não é razoável colocar em votação a redução da jornada de trabalho em pleno período eleitoral
17 de agosto de 2026
Sonho adiado por mais de 30 anos se torna realidade com EJA do SESI
13 de agosto de 2026
Estudo da FINDES e do Bandes revela potencial do ES para transformar resíduos em energia limpa