Empresas aprendem a disputar editais da ANP por meio de webinar da Findes

Uma aula produtiva com apresentações ricas em informações valiosas foi realizada na manhã desta quinta, 7/5, durante a webinar “Projetos de PD&I para empresas capixabas” oferecida pela Findes, por meio Fórum Capixaba de P&G, e Sebrae . As entidades estão unidas em um convênio de cooperação técnica com o objetivo de aumentar a competitividade e inovação das empresas capixabas no setor de petróleo e gás.

O evento contou com 42 participantes e foi realizado por meio da plataforma Teams. Dentro das ações previstas do grupo, está a ampliação da participação das empresas capixabas em editais de PD&I (projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação), principalmente as chamadas que envolvem recursos da da ANP – Agência Nacional de Petróleo. A proposta é termos uma estratégia consolidada para apoio às empresas com potencial e interesse.

O consultor da Findes e Sebrae, Antônio Batista fez a contextualização do setor e falou sobre as ações já realizadas pelo Fórum de Petróleo e Gás como o levantamento de empresas que participaram dos editais, o histórico de participação do Estado neste contexto, as chamadas públicas e privadas de captação de recursos e a iniciativa de construir este grupo técnico focado em inovação. Batista destacou também os próximos passos deste processo que são: confirmar as empresas que têm interesse em participar deste grupo técnico, aproximá-las, fazer um profundo network a fim de elaborar novos projetos que tenham maior capacidade de serem aprovados.

“Nosso objetivo com a realização dessa webinar, que é a primeira de uma série sobre o tema, é apoiar empresas com potencial tecnológico e startups a se planejar e se preparar para captação de recursos em editais. Temos muitas empresas com esse potencial no Estado, mas precisamos organizar o processo, trazer os centros de pesquisa para próximo, ou seja, proporcionar um ambiente favorável a ampliação da nossa capacidade de inovação. O Sebrae contribuirá com consultorias, capacitações e articulação para que esse objetivo seja alcançado”, informou Ana Karla Macabu, gestora de projetos do Sebrae.

“Uma das ações que estamos realizando nesta jornada é fazer o mapeamento das empresas do setor de P&G que podem participar desses editais e ao mesmo tempo estamos mapeando também as instituições. Sabemos que a verba da ANP é ofertada por demanda. Nosso setor vive em um tripé. Temos o empresário de um lado, a universidade e as instituições técnicas de ensino do outro lado e no terceiro lado, o demandante que são as empresas concessionárias como Petrobras, Shell, Exxon, Equinor, Repsol, Total, entre outras. Eu afirmo que não é difícil a aprovação de bons projetos, mas nós estamos sentindo falta de propostas das empresas capixabas. Talvez o que falte é essa aproximação e esse é um dos objetivos desta webinar”, afirmou o coordenador do LabPetro, da Ufes, Eustáquio de Castro.

“Esse momento é oportuno e necessário para que a inovação seja trabalhada no mercado. Enquanto há muitas empresas com dificuldades na geração de receita e sem capital de giro em virtude da pandemia do CoronaVirus e a crise de preços do petróleo, a possibilidade de captar recursos, formar parcerias e desenvolver soluções inovadoras vem se apresentado como uma saída alternativa e eficaz para a prospecção de novos negócios futuros. A perspectiva será cada vez maior na busca por redução de custos, produtividades e tecnologias no setor de petróleo e gás”, disse Elimar Fardin Lorenzon, analista de negócios do Fórum Capixaba de Petróleo e Gás, pela Findes.

A consultora Kátia Cunha com vasta experiência no setor, explanou sobre vários aspectos que envolvem um projeto e começou sua apresentação questionando sobre por que a inovação é tão difícil de ser inserida nas empresas? “Primeiro temos a questão financeira. Por ser uma incógnita o resultado daquele investimento, muitos empresários e gestores optam por não assumir este risco, direcionando o recurso financeiro e de pessoal para áreas operacionais e que produz retorno em curto prazo. Entretanto, é preciso entender que a inovação é um diferencial competitivo crucial para manutenção da competitividade das empresas”, informa Kátia.

Observando este entrave para o crescimento da inovação no Brasil e no mundo, os governos criaram instrumentos de política com o objetivo de compartilhar, entre a empresa e Estado, os custos e riscos das pesquisas, desenvolvimento e inovação (PD&I). A chamada “Subvenção Econômica” surgiu em 2006, com base nas normas da OMC-Organização Mundial do Comércio. Trata-se de recursos não reembolsáveis (não precisam ser devolvidos pelas empresas) e são distribuídos após uma análise dos projetos de inovação, os quais são submetidos às agências de fomento de ciência e tecnologia, responsáveis pelo gerenciamento destes recursos do governo.

A consultora apresentou também detalhes de grande relevância para os proponentes na hora de pensar o projeto. O que o empreendimento se propõe a resolver? Qual a inovação proposta? É preciso descrever o problema, como ele foi identificado e o que leva a acreditar que é realmente um problema a ser resolvido. Como o problema será resolvido? É preciso explicar tecnicamente e demonstrar, com parâmetros bem definidos, porque você acredita que esta é a melhor solução para o problema. Pense também sobre os diferenciais competitivos da solução, inovação e em que estágio está. E sobre o resultado final, avalie o tempo necessário para atingir o resultado final e etapas intermediárias relevantes.

“Não podemos esquecer também dos concorrentes. Defina, qualifique e quantifique a concorrência do empreendimento. Qual é a estratégia de atuação? Defina o modelo de negócio do empreendimento. Defina preços, forma de comercialização (canais, revendas, etc), parcerias necessárias, etc. Explique quais são os diferenciais competitivos da estratégia. Quantifique o tempo necessário para etapa. Quanto custa? Defina e quantifique os aspectos financeiros do empreendimento: investimento inicial, fontes e usos, projeções financeiras”, ensina a consultora.

Kátia finaliza sua fala com dicas valiosas sobre o que o proponente nunca deve falar sobre um empreendimento. “Nunca fale na primeira pessoa. Jamais diga que vamos desenvolver um produto serviço totalmente revolucionário, sem similar no Brasil e no mundo. Evite afirmar que a fase mais importante e crítica será efetuada após o término deste projeto. Nunca diga que somos a única empresa com capacidade para realizar este projeto ou que investir neste projeto é essencial para o país. É bizarro ouvir também que tal projeto mudará os destinos das pessoas ou do país”, frisou a consultora.

Por Carol Veiga

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