Artigo: Preços mal administrados

A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou abaixo da meta projetada pela equipe econômica em 2017 e tem permanecido estável neste ano, com 4,39% de alta acumulada nos últimos 12 meses até junho. O controle nos preços alivia o bolso dos brasileiros, especialmente na alimentação e na habitação – grupos que atingem a maior parte da população e impactam o orçamento familiar.

A média da inflação, no entanto, esconde um problema grave, que pressiona os custos de produção na indústria: a alta dos preços administrados, isto é, regulados por contratos ou órgãos públicos – como energia elétrica e gás. Análise publicada pelo Ideies revela uma variação de 11,20% no IPCA acumulado em 12 meses até junho no Brasil, resultado cinco vezes maior que o índice dos preços livres (2%) no período.

Estudo do Ideies com recorte específico para a Grande Vitória mostra que o IPCA subiu 26,22% entre 2014 e 2018, enquanto gás natural (66,86%) e energia elétrica (73,32%) tiveram alta bem superior. Agravando a situação, em agosto sofremos reajustes de 14,99% na energia elétrica e 8,79% no gás natural no Estado. Os preços, embora controlados pelo Governo, escalam em ritmo desproporcional à recuperação econômica.

A competitividade e a lucratividade do setor produtivo capixaba são minadas e o valor não pode ser repassado ao consumidor final. Vale lembrar que nossa energia elétrica, segundo ranking da CNI, é a terceira mais cara do país – cerca de 20% acima da média nacional – e nossa tarifa de gás desconsidera o fato de sermos um dos maiores produtores do país.

Pensando nisso, a Findes apoia a criação de uma distribuidora de gás pelo Governo estadual, desde que haja assento para os consumidores no Conselho de Administração e os superávits recentes sejam considerados na revisão tarifária, entre outras questões técnicas. A aprovação do projeto Gás Para Crescer, em tramitação no Congresso, também será essencial para restaurar o equilíbrio do setor. É preciso buscar eficiência, redução de custos nas empresas e concessionárias, ampliar a concorrência e dar transparência aos critérios para formulação de preços e reajustes.

Léo de Castro é presidente do Sistema Findes

Conteúdos Relacionados

Leave a Reply

Conteúdos Recentes

27 de julho de 2026
Eleições 2026 | Posicionamento da FINDES: a indústria participa da construção do futuro
27 de julho de 2026
Eleições 2026 | Setor produtivo do ES lança manifesto com propostas para as eleições 2026
24 de julho de 2026
Mais de 500 produtos do ES são taxados pelos EUA com tarifa de até 37,5%