A discussão sobre a proibição de copos plásticos no Espírito Santo voltou à tona neste mês de outubro por conta do Projeto de Lei 26/2019 aprovado na Assembleia Legislativa, que pretende impedir a utilização e o fornecimento de copos plásticos descartáveis pelos restaurantes, bares, lanchonetes, barracas de praia, ambulantes e similares em todo o Estado. O projeto de lei recebeu o veto do governador Renato Casagrande na tarde desta quinta, 31/10. O Sindicato da Indústria de Material Plástico do ES, Sindiplast-ES, apoia o veto do governador e vê com preocupação a iniciativa do projeto de lei, pois entende que o caminho para o desenvolvimento sustentável não está na proibição, mas sim na cooperação de todos os setores da sociedade no processo de reciclagem, na coleta seletiva e na educação ambiental.

O setor de plásticos é um grande gerador de emprego e renda para o país, sendo o 4º maior empregador entre as indústrias de transformação, com cerca de 12 mil empresas e 323 mil trabalhadores no Brasil, sendo aproximadamente 7 mil no Espírito Santo. Acreditamos que banir a produção dos copos plásticos não seja a forma ideal para solucionar a questão do resíduo no meio ambiente. Sugerimos, nesse debate, uma visão sistêmica do funcionamento da sociedade, ampliando a discussão para a gestão de resíduos sólidos, a precariedade do saneamento básico em diversas regiões, a coleta seletiva insuficiente nos municípios e a necessidade do descarte adequado. Incluímos aqui a responsabilidade da indústria em transitar de uma economia linear para uma economia circular, que tenha cada vez mais como princípio reintrodução dos seus produtos ao processo produtivo.

A economia circular é uma nova forma de repensar a produção e o consumo, um caminho que envolve todos os setores da sociedade, avaliando o ciclo dos produtos de forma a reduzir os danos ambientais e tirar o máximo de proveito da produção. Quando se trata de materiais que podem ser reprocessados diversas vezes, como o plástico, a economia circular se torna não apenas uma aliada econômica, mas uma prática fundamental para a preservação do meio ambiente.

No Espírito Santo, Indústrias de Transformados Plásticos que praticam a economia circular são capazes de retirar toneladas de resíduos plásticos por ano do meio ambiente inserindo o material novamente na cadeia produtiva em forma de novos produtos. Na Topplastic, por exemplo, empresa de bobinas, sacos e embalagens plásticas personalizadas, localizada no município da Serra, 90% da produção é proveniente de material reciclado, o que possibilita a retirada de 150 toneladas de resíduos todos os meses. O mesmo acontece na empresa Papelial que mensalmente reutiliza cerca de 180 toneladas de plásticos retirados da natureza.

Mas para que todo esse processo da economia circular se desenvolva é necessário também um trabalho de educação com a população para reduzir, reutilizar e redirecionar os produtos plásticos para o reprocessamento.

O produto reciclado é de origem nobre porque deixa de afetar o meio ambiente. Quando utilizado de maneira sustentável, o plástico é fundamental para o desenvolvimento social, econômico e para a própria preservação ambiental. O reaproveitamento do plástico descartado na natureza pode dar um retorno considerável à sociedade principalmente na geração de emprego e renda para as indústrias de reciclagem.

Jackley Maifredo é presidente do Sindiplast-ES e conselheiro da Findes

*Artigo originalmente publicado em A Gazeta.

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