Apenas 8 milhões de habitantes em uma área predominantemente desértica, menor que a de Sergipe, diversos conflitos militares e somente 70 anos de existência, contrapondo ao maior índice de startups percapita e ao maior percentual do PIB investido em P&D no mundo. Israel fez das adversidades e do senso de sobrevivência os propulsores do seu desenvolvimento e estabelece-se como uma potência em negócios baseados em tecnologia e inovação, sendo destaque no empreendedorismo mundial.

É certo que um ecossistema de inovação não se constrói de forma imediata e Israel estabeleceu estratégias e planos de longo prazo, realizando ações estruturadas, envolvendo todo o país, com direcionamento e propósito. Os objetivos claros e um diferencial definido fortalecem o posicionamento e a reputação de um povo que escolheu a tecnologia como meio para melhorar a vida das pessoas.

O foco nas pessoas, considerando o desenvolvimento, valorização, promoção e atração de talentos, é elemento chave de todo o ecossistema, desenvolvem pesquisas de alto nível que são base para diversas aplicações relacionadas às demandas da indústria e da sociedade, apoiadas pelos Technology Transfer Offices.

O país das startups valoriza e reconhece as falhas como parte do processo de desenvolvimento e entende que os riscos são inerentes quando o assunto é inovação, por isso que os experimentos nos negócios são incentivados. E o mercado é o mundo, é preciso pensar global para crescer, são exemplos as empresas Wix, Waze, Moovit, Airobotics e Orcam, startups israelenses que ganharam o mundo.

A iniciativa privada é atuante, com fundos de investimento em todas as etapas do processo e empresas multinacionais com centros de pesquisa e programas de inovação aberta interagindo com o ecossistema. O governo tem um papel bem definido com o Israel Authority Innovation que direciona as ações e estabelece as diretrizes com uma visão do todo.

A imersão capixaba no ecossistema de inovação de Israel promovida pela Mobilização Capixaba pela Inovação (MCI) contou com a participação de todos os elementos da nossa hélice quíntupla: academia, governo, empresas, startups e investidores.

Há um ecossistema em estruturação e já é possível identificar atores e iniciativas, o FindesLab e o Instituto Senai de Tecnologia se propõem a somar a esta rede para promover a inovação no Estado.

É preciso fortalecer as conexões, pois elas movem o ecossistema e somente com sinergia e cooperação é possível alcançar novos patamares de desenvolvimento. Sonhar grande e sonhar junto.

Leo de Castro, é presidente do Sistema Findes e Juliana Gavini, é diretora de Tecnologia e Inovação do Senai-ES.

Artigo publicado no jornal A Gazeta de hoje (19).

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